Pesquisador do Inpe inocenta El Ni¤o
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoCulpa parcialJosé Antonio Marengo, ontem em Cascavel: fenômeno pode influir de 40% a 50% na variação de ocorrências de chuvasO pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Antonio Marengo, disse ontem em Cascavel que é preciso desmistificar que o fenômeno El Ni¤o seja o responsável por tudo o que acontece com o clima. O pesquisador esteve na cidade a convite da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico e da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel.
Marengo atua no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, em São José dos Campos (SP). Ele é peruano e está no Brasil há 3 anos. É doutor em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA).
O pesquisador disse que o El Ni¤o deve ser entendido como parte do clima e contribui, mas não é fator exclusivo em acontecimentos como o aumento ou a escassez de chuva em algumas regiões e a elevação da temperatura em outras, fenômenos registrados em várias partes do planeta.
O El Ni¤o ocorre em função do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que este ano chegam a atingir até 29 graus - cerca de 4,5 graus acima do normal. Segundo Marengo, o aquecimento é uma combinação do menor afloramento de águas frias com deslocamento de nuvens de chuvas que se instalam sobre o oceano, em sua parte Oeste.
No caso do Brasil, as diferentes regiões do país podem sofrer efeitos diferenciadas, conforme o pesquisador, como chuvas no Sul e seca no Norte/Nordeste, inclusive porque também se submetem às influências do Oceano Atlântico. O pesquisador explicou que o El Ni¤o não tem ciclos rígidos (em média, 6 a 7 anos) e ocorre há muitos séculos, embora apenas nos últimos anos tenha ficado famoso.
Uma de suas manifestações do fenômeno ocorreu em 1535, quando o conquistador espanhol Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima, capital peruana.
O nome do fenômeno (o menino) foi dado por pescadores, porque ele aparecia na época do Natal, nas celebrações do nascimento do Menino Jesus.
Segundo Marengo, o El Ni¤o pode influir de 40% a 50% na variabilidade das chuvas e em muitas regiões brasileiras o último trimestre do ano geralmente é de veranicos. Por isso, naturalmente, o calor é maior. Podemos dizer que as chuvas devem ser maiores que as normais, mas é sensacionalismo projetá-las como dilúvio, comentou.
O pesquisador explicou que em anos sem o El Ni¤o também ocorreram alterações climáticas, o que demonstra que o fenômeno não pode ser responsabilizado por tudo o que ocorre com o clima.
Ao contrário do que tem sido propagado, de que o Sul do Brasil terá graves problemas na agricultura, as chuvas previstas podem até ser benéficas para a produtividade, acrescentou.


