Arquivo FolhaÓrgãos de trânsito desconhecem o quanto álcool influencia em acidentesCuritiba é uma das quatro capitais brasileiras incluídas numa pesquisa que pretende revelar um perfil mais preciso das causas e circunstâncias dos acidentes de trânsito no País, além da vinculação desses acidentes com o consumo de álcool, drogas e medicamentos. A pesquisa, que começou terça-feira, vai durar uma semana. Serão coletadas informações e material para exames das vítimas de acidentes que passam pelos pronto-socorros dos hospitais Cajuru e Evangélico e também pelo Instituto Médico Legal.
Segundo uma das coordenadores locais da pesquisa, a socióloga Carmen Regina Ribeiro, do Ippuc, a previsão é que, em Curitiba, serão atingidas entre 400 e 500 pessoas. A participação é voluntária e os pesquisadores garantem a preservação da identidade das vítimas do trânsito.
O levantamento é dividido em duas partes. A primeira é um questionário com informações sobre a vítima e o local e tipo de acidente. A outra parte consiste na coleta de sangue e urina do envolvido, a fim de verificar a presença de álcool, medicamentos e outras drogas no organismo.
O objetivo é ter dados científicos sobre os efeitos danosos dessas substâncias para a segurança do trânsito. Com o questionário, será possível traçar um quadro mais detalhado dos locais onde ocorrem mais acidentes, as causas mais frequentes e mesmo o número de ocorrências e vítimas.
Segundo Carmen Ribeiro, o último grande levantamento sobre o assunto em Curitiba ocorreu em 1992, num mês em que foram registradas 1.335 vítimas do trânsito, entre mortos e feridos. ‘‘Hoje não temos dados precisos e acredito que mesmo o Detran trabalha com registros inferiores à realidade’’, afirma.
A pesquisa está sendo feita simultaneamente também em Recife, Salvador e Brasília. Os resultados serão reunidos e analisados pela Universidade Federal da Bahia e pelo Instituto Raid, de Pernambuco. As duas instituições foram contratadas para realizar o estudo pela Associação Brasileira de Detrans, que pretende utilizar os resultados para guiar políticas de segurança de trânsito, tanto educativas e preventivas quanto repressivas.

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