Pesquisa vai mostrar opinião de usuário do transporte coletivo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Lucilia Okamura 
Descobrir formas de melhorar o sistema de transporte coletivo e de atrair mais usuários de ônibus. Estes são alguns dos objetivos de duas pesquisas que a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) vem fazendo desde o início da semana na região metropolitana de Londrina. Trinta pesquisadores estão realizando o trabalho e devem percorrer cerca de 30 mil residências.
As residências são visitadas aleatoriamente pelo pesquisador que questiona, entre outros itens, o itinerário percorrido diariamente (origem e destino), o principal meio de locomoção, os motivos de não usar o transporte coletivo e o que teria de mudar para passar a ser um usuário de ônibus.
A diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão, observa que este tipo de pesquisa já foi realizada outras vezes, mas sempre dentro de ônibus. Assim, atingíamos apenas os usuários. Visitando os domicílios, podemos fazer uma pesquisa mais abrangente e identificar se existe uma demanda que pode passar a ser usuário, ressalta.
Atualmente, são cerca de 4,5 milhões de usuários (pagantes e não-pagantes) do sistema de transporte coletivo. Lúcia informa que a grande maioria deles é constituída pelo chamado usuário cativo - aquele que anda de ônibus por não dispor de um outro meio de locomoção. Além de encontrar maneiras de atrair mais usuários, temos que melhorar o sistema porque o usuário cativo, quando tiver uma chance, vai usar outro meio de transporte, ressalta.
A diretora da Comurb adianta que um dos motivos de muitas pessoas não usarem o transporte coletivo é a demora, em comparação com um veículo particular. Se levo 15 minutos para chegar a um determinado lugar de carro, levo de 45 minutos a uma hora se for de ônibus, contando o tempo de espera no ponto e a viagem, exemplifica.
Uma das propostas da Comurb para solucionar o problema é ampliar o sistema expresso (viagem sem as usuais paradas), que atualmente funciona na zona norte. Há ainda a idéia de oferecer linhas especiais com certas mordomias (ar-condicionado e bancos estofados) e paradas fora do ponto tradicional. Temos que tornar o sistema de transporte mais atraente, observa.
Com a pesquisa, segundo a diretora, será possível detalhar o itinerário de um ônibus, verificando, por exemplo, se há necessidade de uma linha direta e onde realmente o veículo tem de passar.
Segundo Lúcia, a pesquisa deve demorar mais dez dias para ser concluída. Além de Londrina, o trabalho está sendo realizado também em Ibiporã, Cambé, Jataizinho e Rolândia. O trabalho está sendo feito em parceria com as empresas Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig.


