Os paranaenses são vistos como pessoas trabalhadoras, arrogantes e sérias por brasileiros de outras regiões do País. Apesar disso, na avaliação de alguns temas polêmicos, os habitantes do Sul têm opiniões mais liberais que os demais brasileiros. Os dados fazem parte da pesquisa Fala Brasil, realizada pela Propeg (um grupo de agências de propaganda) no início deste ano com o objetivo de traçar um perfil do brasileiro, com suas diferenças regionais, seus sonhos de consumo e opiniões sobre assuntos polêmicos.
Em questões sobre a liberação da maconha, a união legal entre pessoas do mesmo sexo e a legalização do aborto, os paranaenses e demais entrevistados na Região Sul apresentaram o menor índice de respostas conservadoras.
A pesquisa foi composta por um questionário quantitativo com 36 perguntas, aplicado em 1.700 entrevistas pessoais em 16 cidades brasileiras. Na Região Sul, a pesquisa foi feita em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
A grande maioria dos sulistas se posiciona a favor da condenação de menores de 18 anos que cometem crimes, a favor da reforma agrária e contra a invasão de fazendas pelos sem-terra. Em geral, os entrevistados de menor escolaridade foram os que revelaram posições mais conservadoras.
Progresso - Sobre as instituições ou categorias que menos contribuem para o progresso do País, deputados e senadores foram citados por 71% dos entrevistados. Além deles, o governo em todas as esferas (federal, estadual e municipal) tiveram saldos negativos, com mais ênfase para presidente e governadores.
Movimentos sociais que têm crescido nos últimos anos, como as igrejas evangélicas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também estão entre os que menos contribuem para o desenvolvimento e o progresso, de acordo com a pesquisa, assim como segmentos associados à condição de poder, como banqueiros e empresários.
Os entrevistados tendem a identificar como os maiores propulsores do desenvolvimento e do progresso os setores da sociedade vistos como distanciados ou independentes dos poderes constituídos. Em primeiro lugar aparecem os pequenos empresários (para 71% dos entrevistados, é a categoria que mais contribui para o progresso do País), que projetam uma imagem de empreendedores e geradores de empregos. Os meios de comunicação em geral, a propaganda, a Igreja Católica e os sindicatos de trabalhadores também apresentaram saldos positivos.
Sonhos de consumo - A moradia (compra, reforma ou construção) é o principal sonho de consumo do brasileiro. Para 37% dos pesquisados, esse sonho poderá se concretizar neste ano e, para 10%, ainda este mês. No Sul, a expectativa de comprar ou reformar a casa própria é mais forte do que em outras regiões brasileiras.
Depois da casa própria, o automóvel ocupa o segundo lugar no ranking de sonhos de consumo no País (30% dos entrevistados). Os aparelhos eletrônicos - som, computador, TV e videocassete) vêm a seguir, com 18%. Mais do que qualquer bem de consumo, 5% dos entrevistados querem conseguir um emprego ou negócio próprio em 1998. Na Região Sul, a grande maioria acredita que é mais importante ter um trabalho do que emprego com carteira assinada.

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