Pesquisa traça perfil de dekasseguis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade de Campinas (Unicamp) iniciou no final de semana passado, em Maringá, uma pesquisa para traçar o perfil dos novos dekasseguis descendentes de japoneses que deixam o Brasil para trabalhar no Japão. A proposta é mostrar como a migração de mão-de-obra está hoje, depois de uma grande transferência de trabalhadores no período de prosperidade no Japão. Mesmo com a crise econômica lá, muitos descendentes continuam em busca de uma oportunidade, quase sempre movidos pelo fator financeiro, explica a socióloga Elisa Massae Sasaki, do Nepo.
A pesquisa quer mostrar que existem outros motivos, além do dinheiro, para os trabalhadores optarem pelo Japão. Se fosse só pelo rendimento financeiro as pessoas teriam parado de migrar para lá, acredita Elisa, que já publicou trabalho semalhante em 1999. O primeiro passo foi um levantamento, através de listas telefônicas, do número de famílias de descendentes em Maringá. São no total 3,8 mil assinantes, que Elisa acredita se resumir a 3 mil famílias e uma média de 15 mil pessoas.
Depois de ouvir quem ficou, com ajuda de estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Nepo vai analisar os questionários. Algumas famílias serão escolhidas para entrevistas mais completas, que devem identificar a situação de quem ficou, como o dinheiro mandado é administrado, e como é o contato com o migrante. Na etapa seguinte, Elisa vai ao Japão para fazer entrevistas com os trabalhadores maringaenses que estão lá.
O trabalho se resume aos moradores de Maringá, segundo ela, porque a cidade representa um grande fornecedor de mão-de-obra para o Japão. Mesmo depois do grande volume de contratações via agências, os descendentes de Maringá continuam em busca de oportunidades, às vezes até trabalhando por conta própria. Queremos traçar um perfil que possa mostrar a realidade e orientar as autoridades no apoio aos dekasseguis e às famílias, explica. A pesquisa deve estar concluída em outubro.


