Pesquisa revela uso de drogas e sexo de risco entre adolescentes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de junho de 2002
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Londrina conheceu ontem os resultados da maior pesquisa já realizada em território nacional sobre sexualidade e envolvimento com drogas entre adolescentes com idades de 12 a 18 anos. Entre os meses de novembro de 2001 e maio de 2002, com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, os médicos Fernando José Felipe de Paula, mestre em ginecologia, e Olavo Ferreira Franco Filho, doutor em medicina, entrevistaram 1.596 estudantes de escolas públicas e particulares e traçaram um perfil da adolescência na cidade.
Para conseguir um retrato fiel desse substrato social, os especialistas sortearam aleatoriamente as escolas e aplicaram um número de questionários proporcional à quantidade de alunos de cada região. Só foram considerados válidos os cadernos de respostas sem qualquer tipo de identificação.
No tocante ao consumo de drogas socialmente aceitas, 142 jovens (9,1%) afirmaram que fumavam cigarro. A média de idade de início do uso do tabaco foi de 13,3 anos. Já 479 estudantes, ou 31,1%, disseram que haviam ingerido bebida alcoólica nos últimos 30 dias. O que chamou a atenção dos pesquisadores é que 3,2% dos que beberam, afirmaram que consumiram grande quantidade (mais de 50 unidades).
Quanto às drogas ilícitas, 187 jovens, ou 11,1% dos adolescentes alegaram já ter usado ou estavam usando. A mais usada é a maconha, consumida por 80% dos que responderam que já mantiveram contato com substâncias ilegais. Em seguida, com 33,7% estão a cola, solventes e lança-perfume. Na terceira posição ficou a droga da moda, o ectasy, consumido por 4,8%, seguida da cocaína (2,6%) e do crack (1,6%). O uso de drogas começa por volta dos 14,5 anos de idade.
Segundo os especialistas, as chances de um fumante se tornar um usuário de drogas ilícitas é 22 vezes maior quando comparado com um não fumante. Com relação à classe social, os médicos descobriram que os adolescentes das classes C e D consomem menos fumo e álcool do que os seus iguais das classes A e B. Nas classes mais ricas, 13,4% dos jovens usam drogas lícitas. Nas classes menos abastadas, esse percentual cai para 9,8%.
Segundo a pesquisa, a droga, na maior parte das vezes, é comprada e consumida na casa de amigos ou nas ruas. Mesmo com a proibição na venda de álcool para menores de 18 anos e com restrições quanto ao acesso a menores de idade, os bares e boates também são usados pelos adolescentes para consumir e comprar drogas. Os adolescentes também apontaram que é possível comprar e consumir substâncias entorpecentes nas escolas.
Sobre a sexualidade dos adolescentes em Londrina, a pesquisa revelou que as informações sobre sexo vem, em sua maioria pela TV, mas os adolescentes gostariam, preferencialmente, de conversar mais com os pais e professores e com os médicos. Entre os adolescentes, 42,7% 58,5% do sexo masculino e 41,5% do sexo feminino já mantiveram relações sexuais. A idade média do início da vida sexual é de 13,9 para os meninos e de 14,8 para as meninas. Os jovens mais pobres têm maior probabilidade de iniciarem suas relações mais cedo que os das classes mais ricas. As drogas também exercem influência: o cigarro aumenta em 12 vezes a probabilidade do adolescente ter tido relacionamento sexual, o de álcool em quatro vezes e as drogas ilícitas em 10 vezes.
Quanto à estrutura familiar, os filhos de pais separados ou ausentes têm mais chances de iniciarem sua vida sexual mais cedo do que entre os filhos de pais que vivem juntos. Felipe de Paula avalia que os filhos de pais separados perdem a relação de autoridade que tinham dentro da família.
Mas o que mais preocupou os pesquisadores, foi o fato de que quase 50% das meninas, 48,1% acharam suas primeiras experiências sexuais insatisfatórias ou horríveis.
Os adolescentes são bem informados em relação aos métodos contraceptivos, mas novamente as meninas estão mais expostas às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) do que os meninos. A pesquisa revelou que 70% das meninas já mantiveram relação sexual sem qualquer tipo de proteção, o que é bastante significativo. Entre os meninos, esse percentual é de 44%. Tanto é assim que 8% das adolescentes responderam que já adquiriram DSTs, quase o triplo do registrado entre os adolescentes, que ficou em 3%. E o que é ainda pior, além de se exporem mais, elas acreditam menos na possibilidade de virem a ter DST do que os meninos.


