Na visão do jovem curitibano, a violência está associada à ação da polícia. Dados preliminares de uma pesquisa domiciliar feita por alunos e professores de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com 900 jovens, entre 14 a 20 anos, registram que a maioria dos entrevistados já vivenciou alguma situação de conflito com policiais. ‘‘Os jovens não confiam na instituição policial, colocando os constrangimentos físicos e morais causados por policiais acima do tráfico de drogas, brigas de gangues, violência familiar e escolar’’, afirma a coordenadora da pesquisa, Ana Luiza Fayet Sallas.
Esses primeiros dados fizeram com que a pesquisa, que integra o projeto da Unesco - Juventude, Violência e Cidadania -, ganhasse mais um item, que seria a visão do policial dentro da violência. ‘‘Nos depoimentos, todos os adolescentes contaram sobre um caso de agressão, um fator que não se imaginava ter esta dimensão’’. Mas Ana Luiza destaca que, ao mesmo tempo em que existe medo da polícia, houve jovens que colocaram como sonho ser policial. ‘‘Quantos se propuseram ser policiais e a classe social deles só serão apresentados com o cruzamento dos dados, que será concluído no fim de outubro’’.
A pesquisadora informa que outro item que chamou a atenção foi a violência na escola. No questionário, a violência na escola abrangia tanto os fatos ocorridos dentro como fora do estabelecimento educacional. Ana Luiza diz que o estudo, feito com 23 grupos de estudantes de diversas escolas públicas e privadas, constata que em função da violência, os estudantes estariam se armando. Assim vem ficando mais comum o porte de armas de fogo ou de armas brancas (faca, canivetes e navalhas). Uma reportagem publicada este ano na Folha mostrou a realidade nas escolas de periferia, onde até professores andariam armados.
Essa auto-proteção do estudante é atribuída ao surgimento de gangues ou galeras. ‘‘Existem escolas em que a diretoria é obrigada a chamar a patrulha escolar para manter vigilância na entrada de escola’’, diz. Para a pesquisadora, são as classes mais pobres em que a violência é mais acentuada. ‘‘De uma maneira geral, o perfil do jovem curitibano não difere da realidade dos demais jovens brasileiros’’.
A pesquisa patrocinada pela Unesco, depois que cinco adolescentes atearam fogo no índio Galdino de Jesus, está sendo feita também em Fortaleza, São Paulo e no Rio de Janeiro. O objetivo é analisar o comportamento dos jovens em família, na escola e na sociedade, para mais tarde servir de base para adoção de políticas públicas. O resultado final desse levantamento deve ser divulgado no fim de ano, em Brasília.

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