Maringá Pesquisa realizada em conjunto pelo Procon de Maringá e Universidade Estadual de Maringá (UEM) revelou que os genéricos têm pouca procura em Maringá, e que os próprios médicos ainda têm resistência a este tipo de medicamento. Em muitos casos, os médicos colocam nas receitas carimbos com expressões que proíbem a substituição do medicamento de marca por genérico. Com relação ao preço, não se confirmou a denúncia de que os genéricos estavam custando mais caro que os medicamentos de marca. De acordo com a pesquisa, somente os genéricos de venda controlada - tanto faixa vermelha quanto faixa preta - custam mais caro que os medicamentos similares.
De acordo com o chefe do Procon, Adilson Reina Coutinho, a pesquisa foi realizada em 22 farmácias instaladas em vários pontos da cidade. Dos 250 tipos de medicamentos genéricos existentes, foram pesquisados cerca de 70 de maior demanda na rede pública de saúde. O objetivo, segundo Coutinho, foi comparar os preços dos genéricos com os demais e analisar se o consumidor encontra nas farmácias estes medicamentos. A pesquisa revelou que 73% das farmácias não possuem 71% dos medicamentos genéricos faixa preta. Com relação aos medicamentos de faixa vermelha, a dificuldade do consumidor encontrar um genérico é ainda maior, já que 50% das farmácias não têm nenhum medicamento genérico deste grupo. E 64% das farmácias não possuem 40% dos medicamentos genéricos de venda livre.
Embora não tenha sido objeto de pesquisa, Coutinho salientou que ficou impressionado com o número elevado de consumidores que chegam às farmácias com receitas médicas que trazem a advertência proibindo a substituição dos medicamentos de marca por genéricos. ''Isso prova que os médicos têm resistência aos genéricos'', ressaltou. Segundo ele, todos os dados da pesquisa serão encaminhados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. ''O objetivo é informar o que acontece em Maringá para que os dados possam ajudar a Anvisa a desencadear alguma campanha de incentivo ao uso de genéricos'', disse Coutinho.
O delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Maringá, Jorge Kemmel Chammas, afirmou que o órgão tem enfatizado aos médicos a necessidade de prescrever medicamentos genéricos, mas admite que muitos profissionais ainda estão resistentes e preferem continuar insistindo na prescrição de remédios de marca.
''Se podemos obter o mesmo resultado com um custo menor é salutar prescrever genéricos, principalmente se levarmos em conta que a maior parte da população brasileira é de baixa renda'', comentou Chammas. Segundo ele, o medicamento genérico tem uma função social e os médicos deveriam colaborar para que os pacientes, especialmente os mais carentes, tenham acesso a este benefício. Conforme o delegado do CRM, além da própria resistência com relação ao medicamento, muitos médicos não conseguem identificar, no momento da consulta, a condição social do paciente e acabam receitando medicamentos de marca.

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