Pesquisa revela que é grande o índice de pessoas sem documentos
Sem lenço e sem documento, nada no bolso e na mão... - Quase três décadas depois que Caetano Veloso compôs a música Alegria Alegria, a realidade de muita gente em Londrina não mudou. Esta é a conclusão a que o sociólogo e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), de de Londrina, João Batista Filho, está chegando através de uma pesquisa aplicada por alunos do curso de Direito em bairros carentes da cidade.
A pesquisa está sendo realizada nos bairros João Turquino e Olímpico 2 (zona oeste), Favela Marisia (zona norte), Santa Fé (zona leste) e União da Vitória (zona sul). Os 1.800 questionários já aplicados revelaram que 83% destas comunidades estão desprovidas de algum tipo de documentação.
Ontem, os alunos aplicaram mais 400 questionários e o índice de pessoas sem identificação é cada vez maior. Para o Governo, estas pessoas não existem. Ou seja, além de serem totalmente desprovidos de infra-estrutura e qualidade de vida, não são ninguém, afirmou o professor. Segundo ele, o objetivo do projeto, intitulado Resgate de cidadania, uma questão de direito, é justamente levantar a documentação necessária para que a pessoa se torne um cidadão. São seres humanos que têm o direito a vida, liberdade, segurança pessoal, trabalho e sem documentos isso é inviável.
Dorico da SilvaPatrícia: Não tenho dinheiroÉ o caso de Dalgiza Moraes, 18 anos, mãe de dois filhos. Ela não tem documento nenhum e por isso não consegue registro de trabalho. Ela acha que tem registro de nascimento. Deve estar com minha mãe, disse. Para ela, o tipo de pesquisa ali desenvolvida vai ajudar muito a comunidade. Sozinha eu não sei nem por onde começar a fazer esta documentação.
Outro exemplo é da mãe solteira Patrícia Soares da Silva, 18 anos, que vive num barraco com dois filhos. Ela não tem dinheiro para nada. Muito menos para fazer documentos, comentou. Patrícia vive com a ajuda do pai. Ela conta que um namorado que tinha registrou seus dois filhos.
A Carteira de Identidade, Título de Eleitor e Registros de Casamento e Nascimento são os documentos que menos foram constatados nas pesquisas. Aproximadamente 76% das pessoas não têm registro de nascimento, 73% não têm identidade e título de eleitor, 54% das pessoas são amasiados, não tendo, portanto, Registro de Casamento. O CPF então, é um termo desconhecido entre eles, comentou o professor João Batista. Outra preocupação da pesquisa também é sobre o tipo sanguíneo e carteira de vacinação.
Para os alunos, a experiência tem sido uma lição de vida. Estamos tendo contato com um mundo que nunca tivemos, disse a aluna do 1º ano, Maria Angélica Menon, 19 anos. O trabalho deve se estender até o mês de dezembro. O resultado das pesquisas será levado para as autoridades competentes.Dorico da SilvaCarênciaAlunos estão fazendo levantamento em bairros carentes da cidade: o resultado é surpreendenteLuciane Tonon





