Curitiba

Arquivo FolhaNúmerosOs tipos de acidentes que mais se relacionam com o uso de álcool, em Curitiba, são o capotamento (em 57,1% dos casos o motorista estava alcoolizado) e o choque - impacto do veículo contra um objeto fixo (37,5%). Entre os acidentados, 32,9% não usavam cinto de segurançaUma pesquisa feita entre agosto e setembro nos hospitais Cajuru e Evangélico e no Instituto Médico Legal revelou que 42,7% dos motoristas envolvidos em acidentes em Curitiba nesse período haviam ingerido alguma quantidade de álcool. A pesquisa foi realizada simultaneamente em Recife, Salvador e Brasília e apontou dados preocupantes sobre a relação entre consumo de álcool e acidentes de trânsito. Ela também revela o perfil do acidentado, mostrando, por exemplo, que mais de 70% do total de envolvidos em acidentes são homens e que 32,9% não usavam cinto de segurança.
A pesquisa, coordenada pelo Instituto Recife de Atenção Integral às Dependências (Raid), é baseada em dados de 1.114 vítimas de acidentes ou acompanhantes, dos quais 371 em Curitiba. Destes, 297 foram submetidos a exames de dosagem alcóolica. O resultado apontou que 42,7% haviam ingerido álcool e 23,2% apresentaram índices de consumo acima do permitido pelo novo Código de Trânsito (0,6 gramas por litro de sangue).
Do total de pessoas que haviam bebido e se acidentaram em Curitiba, 44,2% são menores de 20 anos e 46,8% têm entre 20 e 39 anos. ‘‘No geral, a pesquisa mostrou que 53% dos adolescentes acidentados beberam, o que revela o estímulo e a banalização do álcool, praticamente desconsiderado quando se fala de drogas’’, disse o diretor clínico do Instituto Raid, Evaldo Oliveira, que coordenou a pesquisa.
Os tipos de acidentes que mais se relacionam com o uso de álcool, em Curitiba, são o capotamento (em 57,1% dos casos o motorista estava alcoolizado) e o choque - impacto do veículo contra um objeto fixo (37,5%).
A pesquisa detectou também a presença de outras drogas no sangue dos acidentados. Em Curitiba, 7,2% haviam consumido maconha, 3% cocaína e 3% calmantes. Oliveira chama a atenção para o fato de que 4,5% dos acidentados nas quatro capitais pesquisadas são adolescentes entre 13 e 19 anos cujos exames revelaram o consumo de calmantes.
Outro dado destacado por ele diz respeito ao grande número de acidentes envolvendo ônibus: ‘‘Curitiba tem uma frota de automóveis 16 vezes maior que a de ônibus. Proporcionalmente, os ônibus estão atropelando 15 vezes mais que os automóveis’’.
Oliveira recomenda que se olhe com mais cuidado para as pessoas menores de 9 anos e maiores de 60, vítimas mais frequentes. ‘‘Esse dado mostra a crueldade do trânsito e a desproteção da parte mais frágil da população’’.

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