A imagem da Curitiba politicamente correta - estimulada pelos órgãos oficais e pelos habitantes da cidade - passa distante do livro ‘Fantasmas de Curitiba - uma expedição pela Cidadania’, produzido por dez alunos do 2º grau do Colégio Positivo, baseado no livro do jornalista Gilberto Dimenstein, ‘Cidadão de Papel’. O livro, escrito baseado em pesquisas com a população, aponta uma cidade com ranço preconceituoso (e, em alguns pontos, beirando ao nazismo) e com índices de consumo de drogas superior à metrópoles como o Rio de Janeiro.
‘‘A cidade é bem diferente do que imaginávamos’’, avalia o estudante Diogo Melo de Rego Lopes, 16 anos, um dos responsáveis pela pesquisa feita com 400 pessoas de diversas idades e classes sociais. Ele conta que a cidade é preconceituosa em relação aos seus diferentes.
‘‘Existe uma barreira em relação aos migrantes, para que eles fiquem em um lado, não atrapalhando os moradores da cidade’’, diz Celso Gomes Soares Júnior, 16 anos, acrescentando que a rejeição representou 73% dos entrevistados. Para o estudante, existe um contrasenso na resposta, porque a maioria dos entrevistados vem do interior do Estado (66%). ‘‘O esteriótipo do migrante é o nordestino’’, comenta Nikolas Mateviski, 16 anos. Segundo Alice Bonatto de Castro, essa visão gera preconceito também contra o pobre. ‘‘Um dos entrevistados sugeriu o nascimento de um Hitler, em cada região do País, para eliminar a pobreza’’.
Outro ponto interessante na pesquisa é que os medos dos jovens são similares.‘‘Porém quanto mais rico, maior é o medo da violência e dos pobres’’, diz Nikolas. Em sua avaliação, para solucionar a violência é preciso dar oportunidade a todos.
Os estudantes investigaram as causas da prostituição entre os jovens. E descobriram, telefonando para uma casa de prostituição, que quem vende o corpo é das classes sociais A e B. O livro foi lançado ontem à noite, com a presença do jornalista Gilberto Dimenstein. (I.R.)

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