Pesquisa revela causas do suicídio
Osmani Costa
De Londrina
A tentativa de suicídio na tarde de anteontem pela estudante M.R., 16 anos, não é prática isolada em Londrina. Uma minuciosa pesquisa realizada pelo Hospital Universitário (HU) registrou quase 400 tentativas de suicídio entre jovens nos últimos cinco anos, boa parte delas sem registro na polícia e no Corpo de Bombeiros (CB).
A adolescente M.R. foi impedida de se jogar para a morte, do topo de um prédio central de 13 andares, pela equipe do CB. Mas ficou a pergunta: quais motivos levam tantos jovens muitas vezes inteligentes, ricos e bonitos a buscar a interrupção da vida de maneira tão brusca e violenta?
O médico-pediatra Walter Marcondes Filho, integrante do grupo do HU que realizou a pesquisa sobre a síndrome da adolescência, explica que a tentativa de suicídio é consequência da depressão em 80% dos casos. Quase 50% dos jovens que tentam o suicídio têm predisposição genética. Isto é, alguém de sua família pais, avós, tios já tentou ou efetivou o suicídio anteriormente.
De acordo com o médico, especialista em hebeatria (parte da medicina que estuda e trata da adolescência), normalmente a depressão do adolescente é causada por um conjunto de fatores. Ele vive uma fase de extremo conflito, uma fase de muitas perdas. Perde a infância, os pais heróis, a bissexualidade infantil (tem que fazer uma opção), enfim, perde todos os direitos de criança, diz.
O médico ressalta que, ao contrário do que se poderia supor, apenas uma minoria dos adolescentes que tentaram o suicídio é formada por usuários de bebidas alcoólicas e outras drogas. Também só uma porcentagem pequena teve como causa a separação dos pais. A maioria é de raça branca. Grande parte está sofrendo o golpe da perda da condição social. Os pais estão desempregados, têm problemas financeiros e não conseguem satisfazer todo ímpeto consumista normal nos jovens de hoje.
Segundo Marcondes Filho, que tem três filhos adolescentes, o distanciamento dos pais por causa do trabalho ou da falta de diálogo verdadeiro e a perda de alguém muito íntimo podem levar à depressão e, depois, à tentativa violenta de fugir da vida. Muitas vezes, para o jovem, é menos doloroso a morte do que carregar sozinho o pesado fardo da vida. Ele tem um pensamento de morte diferente do nosso; é uma forma mais poética de vida eterna. É o paraíso, o céu, um lugar onde pode se encontrar com o pai, a mãe, um amigo que já morreu.
Ele conta que a pesquisa encontrou inclusive crianças com tendência suicida, a mais nova com apenas 8 anos. Mas cerca de 75% das tentativas de suicídio entre os jovens se concentram dos 13 aos 16 anos. Para evitar esta prática as famílias têm que investir no diálogo carinhoso, verdadeiro e amoroso, e num ambiente sadio e honesto desde a primeira infância, ressalta. Ele lembra que, quando esta formação é falha, o caminho para o tratamento dos adolescentes será através da terapia, do medicamento e da psicoterapia.





