Se a saúde e a segurança fossem alunas da rede pública de ensino, estariam reprovadas em Campo Mourão. Pesquisa realizada na cidade pelo Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae), revelou que apenas 34,5% dos 439 entrevistados estão satisfeitos com o atendimento da saúde pública. O índice de satisfação com a segurança é ainda menor: 28%. Entre os 26 itens pesquisados, a saúde ficou em 21º lugar e a segurança em 23º.
A pesquisa do Sebrae foi realizada em agosto como parte do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proder), mas os resultados só foram divulgados esta semana. Em último lugar ficou o setor industrial, com 13,7% de satisfação. Segundo 58,7% dos entrevistados, a indústria local é ‘‘fraca’’ principalmente pela falta de novas empresas do setor. Os entrevistados também consideraram fracos os setores de turismo (50,4%) e de áreas de lazer (45,2%).
Na outra ponta da tabela está o abastecimento de água, com uma satisfação popular de 87,7%. Apenas 2,3% dos entrevistados disseram que o serviço é fraco. Nesse caso, a maior reclamação é sobre o preço das tarifas. Já o sistema de esgoto ficou em 16º lugar, com 53,6% de satisfação. Os dois serviços são realizados pela Sanepar. O gerente da empresa em Campo Mourão, Carlos Roberto Pinto, comemorou os resultados da água e disse que a situação do esgoto só não é melhor porque a rede só atinge 50% da cidade.
Em segundo lugar na satisfação popular ficou o serviço de coleta de lixo, com 87,7%. O transporte coletivo intermunicipal ficou em terceiro lugar, com índice de satisfação 86,5%. Dos 26 setores pesquisados, apenas sete tiveram índice de satisfação abaixo dos 50%. Um deles foi o comércio (46,2%), considerado fraco por 19,23% dos entrevistados. Dos serviços administrados pelo poder público, o melhor é o de assistência social, em 11º lugar (66,1% de satisfação).
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), Oscar Azuma, disse que ‘‘a insatisfação da população com o comércio e com a indústria é, principalmente, reflexo da falta de emprego’’, disse.
O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar, major Nelson João Casarolli, disse que ficou surpreso com o baixo índice de satisfação da segurança. ‘‘Acho que essa pesquisa não retrata a realidade’’. A Folha fez contato, mas não conseguiu falar ontem com a secretária municipal de saúde, Rosemeire do Carmo Martelo.

mockup