Pesquisa para calendário vai virar livro
Um levantamento minucioso sobre as florestas com araucárias foi realizado pela jornalista Maria Celeste Corrêa e pelo marido dela, o fotógrafo Zig Koch. Durante a pesquisa, os dois levantaram dados tão interessantes que, da idéia inicial de montar um calendário, o trabalho pretende evoluir para um livro. A idéia do livro é antiga, mas, com as pesquisas, vamos enriquecer as informações sobre, por exemplo, as tribos indígenas do Paraná, as espécies da flora e da fauna, que são associadas à araucária e sobre a própria história do Paraná, adianta Maria Celeste. A pesquisa começou há oito anos.
Ao visitar o Brasil, em 1822, o botânico August de Saint Hilaire deslumbrou-se de tal forma com a visão dos capões de araucária em terras paranaenses que chegou a escrever em seu diário: Se existe paraíso no Sul do Brasil ele é aqui, nos Campos Gerais. Ainda hoje, é possível admirar este tipo de formação na região e em muito outros pontos do Planalto Meridional.
A floresta de araucária abriga uma enorme diversidade de animais, desde grandes mamíferos até os menores invertebrados. Cada um deles desempenha um importante papel na manutenção do equilíbrio deste precioso ecossistema. Somente entre as aves, são mais de 250 espécies distintas, o que representa pelo menos 15% de todas as espécies nativas do Brasil.
Entre todas elas destaca-se o grimpeirinho, uma pequena ave que vive somente neste tipo de floresta. A araucária é considerada uma planta muito importante para os animais e, em determinadas épocas do ano, transforma-se na principal fonte de alimento para um grande número de espécies.
Nos meses de frio, quando os animais necessitam de uma alimentação mais calórica para manter a temperatura do corpo, é o nutritivo pinhão que garante as melhores condições de sobrevivência. Quando os pinhões amadurecem, a fartura de alimento altera toda a vida no ambiente. O pêlo dos animais fica mais brilhante, a maioria ganha peso e, para muitos, esta época também desencadeia o pico reprodutivo.
O ciclo do pinhão favorece uma complexa cadeia alimentar. Os animais com mais habilidade abrem, debulham e derrubam as pinhas. Lá embaixo, os roedores e outros bichos aproveitam as sementes espalhadas pelo solo e, finalmente, os restos de pinhões abandonados transformam-se em banquete para formigas, moscas, besouros, lesmas e muitos outros seres pequeninos.





