Pesquisa para ajudar dekasseguis
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de março de 2009
Carolina Avansini<br> Equipe da Folha 
Londrina - Até o final de abril, 70 mil dekasseguis que trabalham no Japão devem voltar ao Brasil vitimados pelo desemprego, na esteira da recessão econômica. O retorno dos imigrantes pode trazer consequências para as crianças em idade escolar que, frequentadoras de escolas japonesas, enfrentam dificuldades para se adaptar às instituições brasileiras.
O trânsito de trabalhadores entre os dois países motivou uma pesquisa financiada pelo Ministério de Educação e Cultura japonês. O objetivo é investigar as políticas educacionais praticadas no Brasil para desenvolver mecanismos de suporte aos pequenos estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino japoneses.
Ontem, a equipe de pesquisadores formada por Kazuhiko Hayashizaki, Kousuke Yamamoto e Jaqueline Kimura Nakaya participou, em Londrina, de um encontro com o secretário municipal de Educação, Dirceu Vivan, e diretoras da secretaria. De acordo com Hayashizaki, a pesquisa foi motivada pela dificuldade das escolas japonesas em realizarem a adaptação de crianças dekasseguis.
"Por causa da diferença entre as línguas, elas enfrentam problemas de aprendizagem do conteúdo", explicou. O mesmo obstáculo é enfrentado por quem faz o caminho de volta ao Brasil. "Os alunos bem adaptados às escolas japonesas, por outro lado, encontram muitas dificuldades quando passam a estudar nas escolas brasileiras", afirmou.
Autoestima
O resultado da imigração, em ambos os países, é que as crianças não conseguem acompanhar os conteúdos, estranham a solução dos problemas matemáticos por causa da diferença entre a lógica de cada cultura e acabam desenvolvendo baixa autoestima. "Elas sentem-se japonesas no Brasil e estrangeiras no Japão", disse Estela Okabayaski Fuzzi, diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Universidaade Estadual de Londrina (UEL),
Conforme Estela, 60 mil crianças estão matriculadas em escolas particulares brasileiras e em instituições japoneses. Outras 30 mil estão alheias ao sistema de educação. Ela esclareceu que o ano letivo no Japão termina em março e que muitas famílias estão esperando o fim das aulas para retornarem ao Brasil. "Tem gente que quer voltar mas não tem recursos", acrescentou.
A visita dos pesquisadores levou um alerta à equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, que pretende preparar-se para atender um possível aumento nos pedidos de matrículas de dekasseguis a partir do mês que vem. Maria Inês Galvão de Melo, diretora de ensino da secretaria, relatou que, em 2008, as escolas municipais receberam 18 alunos vindos de escolas brasileiras no Japão e duas crianças de escolas japonesas. "A adaptação dos que já estudavam em escolas brasileiras foi tranquila", afirmou. Já os dois alunos de escolas públicas do Japão enfrentaram dificuldades no aprendizado da língua e, apesar de matriculados na quarta-série, tiveram que frequentar as séries iniciais do ensino fundamental no contraturno para aprender português. "No caso de aumentarem o número de crianças neste ano, vamos utilizar o mesmo método e contar com o apoio das famílias", adiantou Maria Inês.


