Pesquisa não mostra
realidade das delegacias
Arquivo FolhaDelegacias paranaenses abrigavam em setembro 4.576 presos, 1.760 condenadosDe acordo com levantamento oficial do Grupo de Apoio e Planejamento da Polícia Civil (GAP), até setembro, apenas cinco fugas haviam ocorrido nas cadeias públicas de Curitiba. A estatística não contabiliza o número de foragidos e tampouco o de detentos recapturados. Em todo Paraná, no mesmo mês, ocorreram 35 fugas.
Em outubro, porém, 24 detentos escaparam das celas do 11º Distrito Policial, na Cidade Indutrial de Curitiba (CIC) e, há uma semana (no mesmo dia da posse do novo delegado geral da Polícia Civil), oito presos fugiram do 8º distrito. Apesar de serem consideradas as duas delegacias em piores condições de segurança da cidade, curiosamente, não tiveram nenhuma fuga registrada pela pesquisa do GAP.
O relatório também revela que haviam 582 detentos nos distritos policiais de Curitiba; 172 deles já condenados pela Justiça. No total, as delegacias paranaenses tinham 4.576 presos (1.760 condenados) em setembro. O delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha, preferiu não comentar a estatística porque ela foi realizada antes dele assumir o cargo. Noronha limitou-se a informar que o sistema de pesquisa realizado pelo GAP será reestruturado.
O presidente do Sindicato das Classes Policiais do Estado (Sinclapol), Luiz Bordenowski, contestou as informações do GAP. Segundo o sindicalista, alguns delegados e agentes temem comunicar as tentativas e até mesmo as fugas de presos porque podem ser penalizados. ‘‘A situação está caótica e a única solução é cumprir a lei e transferir os presos condenados para os presídios’’, opinou Bordenowski.
Ele afirmou que o problema de superlotação das delegacias cresceu nos últimos cinco anos, em consequência do aumento do índice de criminalidade na capital. Para Bornedowski seria necessário um efetivo superior a 7 mil homens (atualmente a Polícia Civil tem pouco mais de 3 mil em atividade) para que a segurança pública estivesse sob controle no Paraná. ‘‘É preciso que os aprovados no concurso para agentes, realizado há dois anos, sejam contratados imediatamente’’, cobrou. (R.B.N.)

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