Pesquisa mostra que filmes aumentam violência entre adolescentes na RM
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Ivan Santos Da Sucursal 
Pesquisa do Departamento de Psicologia da UFPR feita em uma escola pública de Piraquara, na Região Metropolitana, entre 95 e 96 comprovou a influência de filmes violentos no comportamento de adolescentes.
O estudo, feito pela professora Paula Gomide com 320 adolescentes entre 14 e 16 anos, registrou aumento da agressividade entre os estudantes que assistiram os filmes Time Cop, de artes marciais, e Kids, que retrata o cotidiano repleto de drogas e sexo entre adolescentes no subúrbio de Los Angeles.
Ao mesmo tempo, os grupos que assistiram o filme Águas Perigosas, que prega a resolução de conflitos através da cooperação, apresentaram redução da agressividade, segundo a pesquisa.
Para medir as alterações no comportamento dos jovens, a professora promoveu jogos de futebol de salão após a exibição dos filmes, e catalogou dez tipos de atitudes consideradas agressivas, como agarrar, chutar, xingar, cuspir ou empurrar. Os adolescentes foram separados por sexo e em grupos de 40. Eles não foram avisados que seu comportamento estava sendo analisado para que não houvesse influência sobre os resultados.
Segundo a pesquisa, os meninos que assistiram a Kids tiveram comportamento violento em 19,49% do tempo do jogo e os que assistiram Time Cop, 13,3%. Os que não assistiram nenhum filme apresentaram agressividade em 6,49% no mesmo período. Entre os adolescentes que só assistiram a Águas Perigosas, o índice de agressividade caiu para 4%.
O estudo concluiu também que filmes com protagonista exclusivamente masculino como Time Cop, estrelado pelo ator belga Jean Claude Van Damme, não têm influência sobre as meninas, que não apresentaram aumento de agressividade. Já Kids, onde a violência sexual e o uso de drogas é generalizado, o índice de violência entre meninas subiu para 11,47% do tempo de jogo.
Nem eu esperava resultados tão fortes, afirma a professora Gomide. Segundo ela, a eventual predisposição para a violência entre os estudantes analisados não ameaça a veracidade das conclusões. Tomamos o cuidado de utilizar uma base ampla e variada para evitar isso, alega.
Na opinião da professora, os resultados da pesquisa servem de alerta para pais e educadores sobre os riscos da exposição indiscriminada de adolescentes a entretenimento que explora violência. Os pais muitas vezes são omissos, afirma. Para ela, a educação é a única forma de reduzir a influência da mídia sobre o comportamento dos jovens. Proibir e impedir que o adolescente assista esse ou aquele filme não funciona, acredita ela, que também é contra a censura dos meios de comunicação.
Em 97, a professora pretende aprofundar o estudo, duplicando o número de adolescentes e aumentando o tempo de intervalo entre a exposição aos filmes e a análise do comportamento. Queremos descobrir se o aumento da agressividade continua depois de seis horas ou um dia após o adolescente assistir ao filme, diz Paula Gomide.


