Pesquisa mostra que camisinha é pouco usada
Dimitri do Valle
De Curitiba
A camisinha é um artigo cada vez mais distante das relações sexuais de 76,1% dos brasileiros de 16 a 65 anos de idade. Por outro lado, aumentou o número de pessoas que começaram sua vida sexual antes de completar 15 anos. Entre os homens, 47% responderam que a iniciação ocorreu abaixo desta idade. As mulheres somaram cerca de 32%. Os índices são de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) para traçar um perfil do comportamento sexual e das percepções de risco de 59,8 milhões de brasileiros.
Os pesquisadores ouviram os entrevistados de 3,6 mil domicílios do País, segundo as edições de ontem dos jornais Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo. Para Maria Cristina Rodrigues Gil, coordenadora do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids da Secretaria de Estado da Saúde, a questão sexualidade deveria ser trabalhada desde a infância. Os números da pesquisa, segundo Maria, representam ainda um tabu quando o assunto é sexo. As crianças precisam de uma conversa franca com os pais para que isso possa prepará-la para as descobertas da adolescência, observa.
Desde 1986, a proporção da Aids do homem para a mulher vem diminuindo no Paraná. Há 13 anos, existia um grupo de 35 homens infectados para apenas uma mulher. Hoje a cotação é de três homens para cada mulher portadora do vírus HIV. O presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, lembra que a Aids deixou de ser uma moléstia que atingia apenas os chamados grupos de risco. Reis defende que a escola seja um fórum onde se possa discutir mais abertamente a sexualidade.
Temos uma educação sexual deficitária. Quando se trata de sexualidade não há discussão, só se reprime, opina Reis. A erotização maciça nos programas de tevê, segundo ele, é outro fator que incentiva os adolescentes a procurar tirar suas dúvidas sobre o sexo cada vez mais cedo.





