Pesquisa mostra extinção de colônia de pescadores
Dimitri do Valle
De Curitiba
A pesca no litoral paranaense clama por socorro. Esta é uma das conclusões da pesquisa do professor José Milton Andriguetto Filho, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele analisou durante quatro anos o comportamento da atividade no Estado. O estudo revelou o desaparecimento de 40 vilas de pescadores nas últimas quatro décadas. A ausência de políticas específicas para o setor, distribuição concentrada de equipamentos e falta de novos mercados para escoar a produção estão comprometendo o desenvolvimento da pesca que emprega cerca de 20 mil pessoas.
Eles (pescadores) estão cada vez mais mergulhados na pobreza. A pesca é um meio de vida que não se sustenta mais, afirmou Andriguetto, do Departamento de Zootecnia da UFPR. O pesquisador encontrou profissionais que vivem em condições de miséria semelhantes aos catadores de papel e bóias-frias. Estão na mesma situação, reforça. O estudo sobre a economia pesqueira do litoral do Paraná fez parte de uma tese de doutorado do professor. Ele ouviu 250 pessoas, a maioria pescadores, para embasar suas conclusões.
Segundo Andriguetto, a pesca do camarão, que é predominante em mares paranaenses, também serve para tirar o sustento de quem nunca teve intimidade com a rede e o barco. O professor observou que os pescadores são obrigados a concorrer com desempregados que vêem no mar uma forma de sobrevivência. Outro problema é a concentração de estrutura pesqueira nas mãos de poucos profissionais. O professor diz que este efeito é maléfico para o setor, pois a concentração de equipamentos, por exemplo, não abre possibilidades de dezenas de pescadores expandirem sua produção. Aliada a estas dificuldades sociais, a pesca deixou de ser uma atividade hereditária.
Mas a atividade pesqueira do Paraná também tem seus contrastes. Em Guaraqueçaba, por exemplo, as colônias de pescadores continuam em franco crescimento, de acordo com Andriguetto. O poder aquisitivo dos trabalhadores é mais elevado e há equipamento para competir com colegas de outros estados. Os pescadores da reserva de Superagui, prossegue o professor, são privilegiados pelos recursos naturais abundantes, como o camarão, além de manterem uma tradição histórica pesqueira.





