Cerca de 90% dos policiais civis que trabalham nos 13 distritos de Curitiba estão decepcionados com a instituição e dizem que se sentem humilhados e frustrados. As principais justificativas para a falta de estímulo e entusiasmo são os baixos salários pagos pelo Estado, o sucateamento da frota de veículos e dos armamentos da Polícia Civil e a péssima estrutura das delegacias (paredes sujas, salas mal ventiladas, mesas encostadas nas paredes, cadeiras quebradas, máquinas de datilografia sem condições de uso). As consequências da falta de estrutura – na maioria dos casos – são policiais infelizes com a profissão, desajustados com a família, mal-humorados, irritados, impacientes, intolerantes e com problemas sérios de sa© úde como gastrites, úlceras, cardiopatias, enxaquecas, impotência sexual, alcoolismo e dependência de drogas ilícitas.
A pesquisa é oficial e faz parte da primeira etapa do projeto ‘‘Encontrando Soluções para a Polícia Civil e sua Instituição’’, desenvolvido entre os meses de outubro e dezembro do ano passado pelo Setor Psicossocial da Divisão Policial da Capital (DPC). Foram avaliados 206 policiais civis que foram divididos em dez grupos e submetidos a quatro horas diárias de análise por um período de dez dias. O objetivo era verificar a atual situação da Polícia Civil e propor soluções. ‘‘É evidente a situação caótica da Polícia Civil. Mas precisamos falar das dificuldades, levantar a situação e propor mudanças’’, diz a psicóloga Roxane Cassanelli Ratin, uma das responsáveis pelo estudo.
Oitenta e dois por cento dos policiais civis analisados disseram que não confiam na instituição. Deste total, 72% não confiam nem mesmo nos seus superiores. Seis por cento, confiam na instituição, mas não se sentem seguros ou respeitados. E apenas 2% confiam plenamente na Polícia Civil e nos seus superiores. ‘‘Acho que nossos superiores se encontram tão calados e inertes como nós’’, afirma um investigador de polícia, ‘‘eles não questionam determinações, nem rotinas ultrapassadas e absurdas’’.
Roxane Ratin alega que os policiais operacionais não sentem firmeza na condução dos trabalhos da delegacia. ‘‘Eles não se sentem valorizados pelas chefias. Os plantões são deixados às moscas, enquanto o gabinete do delegado está sempre limpo e arrumado. Os delegados esquecem que o plantão é o cartão de visita da delegacia’’, diz a psicóloga.
Um dos pontos mais graves registrados na pesquisa é a falta de modelos de bons policiais dentro da instituição. A maioria dos investigadores pesquisados diz que não tem modelo dentro da Polícia Civil. ‘‘Vou ser sucinto – desconheço que existe algum modelo. Quando quis buscar referencial, me decepcionei’’, alega um policial. ‘‘Não conheço nenhuma referência de comportamento dentro da instituição’’, diz outro.
A pesquisa demonstra ainda que eles não têm qualquer tipo de expectativa profissional. Noventa por cento estão decepcionados e 10% dizem que não pretendem ser investigadores para sempre. Muitos querem ser delegados de polícia.

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