Os primeiros dados de uma pesquisa da Prefeitura de Curitiba nas praças da cidade mostram que a agressão ao patrimônio da cidade é evidente. Estátuas pichadas e placas roubadas foram registradas nos 30 pontos pesquisados. Em um mês, foram visitados os logradouros dos bairros Mercês e Santa Felicidade e centro.
‘‘O trabalho está na fase inicial, mas, mesmo assim, pode-se afirmar que existem muitas agressões no estatuário da cidade’’, avalia a coordenadora da Casa da Memória, Ana Maria Hladczuk. Ela conta que não foram difíceis encontrar pichações nas estátuas e em seus pedestais. ‘‘Na Praça Santos Andrade, um busto tinha cola ‘durepox’ nos olhos, além da assinatura do agressor no monumento’’, comenta. Na Praça Generoso Marques, as pichações se repetem e parte dos adornos do monolito onde está o Barão do Rio Branco foi roubada. Ana Maria diz que o problema se repete também nos bairros.
Albari RosaGarrafa é colocada na boca da escultura: desrespeito
Para a coordenadora do grupo de pesquisa, a arquiteta Milna Leone, o vandalismo ganha força porque o curitibano ainda não se apropriou das áreas de lazer. ‘‘O cidadão se preocupa pouco com os monumentos e praças, não denunciando quando existem agressões’’, diz. Milna reclama também da falta de segurança nos logradouros. ‘‘Sem segurança, o cidadão não visita o local e não o considera como extensão de sua casa’’, observa.
Ana Maria acredita que isto pode mudar, quando a população passar a conhecer os logradouros. Ela explica que todo o levantamento será usado para a formação de um banco de dados, integrando diversas secretarias e autarquias municipais. Também será criado um programa de educação.
Albari RosaPichadores não perdoaram a estátua de Júlia WanderleyO novo banco de dados deverá contar com todas as descrições dos monumentos e do que existe no entorno do local. ‘‘Ficarão no fichário informações sobre a vegetação, textos de placas, construções históricas ao redor das praças, além de fotos dos monumentos’’, comenta Ana Maria Hladczuk. ‘‘A dificuldade é apurar dados dos logradouros recentes, que em alguns casos não estão regularizados’’, comenta.
Também será especificado nas fichas como pode ser feita a recuperação de cada um dos monumentos. As técnicas para este trabalho estão sendo discutidas pela equipe de restauração. O trabalho de pesquisa de campo deve se estender nos próximos dias para o bairro do Pilarzinho e parte do centro da cidade.

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