Pesquisa mostra agressão ao patrimônio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Israel Reinstein 
Os primeiros dados de uma pesquisa da Prefeitura de Curitiba nas praças da cidade mostram que a agressão ao patrimônio da cidade é evidente. Estátuas pichadas e placas roubadas foram registradas nos 30 pontos pesquisados. Em um mês, foram visitados os logradouros dos bairros Mercês e Santa Felicidade e centro.
O trabalho está na fase inicial, mas, mesmo assim, pode-se afirmar que existem muitas agressões no estatuário da cidade, avalia a coordenadora da Casa da Memória, Ana Maria Hladczuk. Ela conta que não foram difíceis encontrar pichações nas estátuas e em seus pedestais. Na Praça Santos Andrade, um busto tinha cola durepox nos olhos, além da assinatura do agressor no monumento, comenta. Na Praça Generoso Marques, as pichações se repetem e parte dos adornos do monolito onde está o Barão do Rio Branco foi roubada. Ana Maria diz que o problema se repete também nos bairros.
Albari RosaGarrafa é colocada na boca da escultura: desrespeito
Para a coordenadora do grupo de pesquisa, a arquiteta Milna Leone, o vandalismo ganha força porque o curitibano ainda não se apropriou das áreas de lazer. O cidadão se preocupa pouco com os monumentos e praças, não denunciando quando existem agressões, diz. Milna reclama também da falta de segurança nos logradouros. Sem segurança, o cidadão não visita o local e não o considera como extensão de sua casa, observa.
Ana Maria acredita que isto pode mudar, quando a população passar a conhecer os logradouros. Ela explica que todo o levantamento será usado para a formação de um banco de dados, integrando diversas secretarias e autarquias municipais. Também será criado um programa de educação.
Albari RosaPichadores não perdoaram a estátua de Júlia WanderleyO novo banco de dados deverá contar com todas as descrições dos monumentos e do que existe no entorno do local. Ficarão no fichário informações sobre a vegetação, textos de placas, construções históricas ao redor das praças, além de fotos dos monumentos, comenta Ana Maria Hladczuk. A dificuldade é apurar dados dos logradouros recentes, que em alguns casos não estão regularizados, comenta.
Também será especificado nas fichas como pode ser feita a recuperação de cada um dos monumentos. As técnicas para este trabalho estão sendo discutidas pela equipe de restauração. O trabalho de pesquisa de campo deve se estender nos próximos dias para o bairro do Pilarzinho e parte do centro da cidade.


