Pesquisa liga agrotóxicos a suicídios
Pesquisa liga agrotóxicos a suicídios
O índice de suicídios na região Sudoeste é o dobro em relação ao Estado e 50% dos casos envolvem agricultores
Sandra Mara Mendes
Especial para a Folha
O psicólogo e professor do Cefet de Pato Branco, Edival Teixeira, está realizando uma pesquisa onde estuda a relação dos agrotóxicos e casos de suicídios no Sudoeste do Paraná. A região apresenta o maior índice de suicídio do Estado, sendo que 48,6% são agricultores. Ele parte do princípio que 75% dos suicídios decorrem da depressão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que defensivos agrícolas organoclorados e organofosforados levam à depressão.
O Sudoeste do Paraná teve 206 casos de suicídios no período de janeiro de 1994 a dezembro de 97. Deste total, 48,6% são agricultores, 29,44% de outras profissões, 12,13% donas de casa, 5,83% estudantes, 4% profissão ignorada e 3,88% aposentados. Teixeira disse que nestes outros grupos detectam-se pessoas ligadas à agricultura, moradoras na zona rural ou que trabalhavam como diaristas nas safras.
O professor descobriu ainda que a faixa etária com maior propensão ao suicídio é entre 30 e 39 anos por estar há mais tempo exposta a agrotóxicos. A incidência agrava-se entre 30 e 50 anos. Teixeira pretende investigar como os usuários reagem a instrumentos de diagnósticos de avaliação psicológica.
A pesquisa derivou de dois pontos. Primeiro porque o Sudoeste apresenta o dobro do índice de sucídios por 100 mil habitantes. Enquanto no Estado registra-se cinco casos a cada 100 mil habitantes, no Sudoeste registra-se 10.
A segunda questão é o fato dos casos se concentrarem mais entre agricultores do que outros grupos ou profissões. O suicídio não tem uma causa única, mas o maior fator de risco é a depressão. O agrotóxico, mesmo sendo um fator secundário, precisa ser atacado, disse.
O psicólogo diz que, segundo estudos da OMS, os organoclorados e organofosforados podem causar prejuízos ao processamento de informação, velocidade psicomotora e memória, dificuldade de fala e tendência aumentada à depressão, ansiedade e instabilidade emocional. Estas são variáveis comportamentais que podem ser otimizadas com o uso de organoclorados e organofosforados, ressalta.
De acordo com Teixeira, na literatura internacional e nacional encontram-se inúmeras teses que afirmam que os agrotóxicos levam à depressão. Ele citou que o Exército inglês comprovou que, após a 2ª Guerra Mundial, os soldados expostos a armas químicas com substâncias organofosforadas cometiam o suicídio até cinco anos depois. O professor informou que a pesquisa para estabelecer a relação entre agrotóxicos e suicídio ainda está na fase inicial e reúne basicamente dados estatísticos.





