Pesquisa isola fungo em fezes de aves
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Maringá - Uma pesquisa realizada por uma equipe do Centro de Estudos Superiores de Maringá (Cesumar) resultou no isolamento de um tipo de fungo causador da Criptococose nas fezes de pombos coletadas na Área Central de Maringá (Noroeste). A presença deste agente infeccioso no organismo pode culminar no desenvolvimento de doenças como a meningite no caso de pacientes imunodeprimidos.
A investigação nasceu a partir do trabalho de conclusão de curso da aluna do quarto ano de Biomedicina Rejane Cristina Ribas, 21 anos, coordenado pelo professor Fernando Henrique Ribeiro. De acordo com a estudante, das 30 amostras coletadas numa praça no Centro da cidade, uma apresentou o fungo Cryptococcus neoformans. ''Com certeza, se mais amostras fossem coletadas, haveria uma confirmação maior de presença do fungo'', afirmou.
De acordo com Ribeiro, que é coordenador do curso no Cesumar, o fungo pode provocar doenças em pacientes com baixa imunidade, como portadores de HIV. ''Também existe o risco da pessoa contrair o fungo e depois ter uma queda de imunidade e ficar doente'', explicou.
Os pesquisadores estão aguardando um período de estiagem para fazer novas coletas. E é justamente no clima seco que as fezes de pombos - e outros passarinhos - apresentam um risco maior para a saúde do ser humano. E perigo existe também porque é grande o número de aves nas praças, onde há presença constante tanto de crianças quanto de idosos, dois grupos com imunidade menor.
As soluções práticas apontadas pelo professor e pela aluna são a lavagem das praças e redução da oferta de alimentos. ''A pesquisa é uma forma de cumprirmos nossa responsabilidade social como instituição de ensino'', afirmou Ribeiro.
Migalhas -
Já os usuários da praças do Centro de Maringá parecem não se incomodar com as aves. O vendedor de cachorro-quente Santo Franquini, 61 anos, comenta que a maioria não se queixa da pombas. ''Trabalho aqui há 12 anos e nunca fiquei sabendo de nenhum problema com as pombas'', garantiu o chapeiro, que admite contribuir com a alimentação dos bichos com migalhas de pão.
Segundo a coordenadora da Vigilância Sanitária em Maringá, Marilda Fonseca de Oliveira, o órgão não recebe muitas reclamações relacionadas aos pombos na Área Central. Ela explica que os maiores problemas são o prejuízo e a sujeira que provoca.
Em Londrina, o tema tem gerado mais polêmica. Um seminário organizado pela 17 Regional de Saúde discutiu a superpopulação de pombos. O abate das aves, porém, foi descartado. ''A conclusão foi que o risco para a saúde é pequeno. Portanto, a questão das pombas trata-se mais de um problema de meio ambiente'', afirma a chefe da Vigilância Epidemiológica Sônia Fernandes.
A bióloga e chefe da divisão de Zoonoses da Secretaria de Estado da Saúde, Gisélia Rúbio, informou a contaminação pelo fungo criptococo não é notificada, mas que três mortes foram registradas este ano. Ela adverte, no entanto, que não existe investigação sobre a forma de contaminação desses pacientes. Isso não significa que as fezes dos pombos tenham relação com essas mortes. ''É temerário relacionar a presença do fungo com as pombas quanto com qualquer outra ave'', advertiu.
Ela alertou que é importante que a comunidade mude a mentalidade sobre o relacionamento com os pombos. Ações como alimentar os animais e facilitar, através da arquitetura das casas, que as aves façam ninhos são ações de risco. Por isso, é necessário, alerta, que o poder público faça campanhas de esclarecimento.


