Arquivo FolhaCovardiaDoris Dallmann, assistente social: ‘‘Meninos e meninas chegam às delegacias em estado de desespero depois de passarem por agressões violentas’’Crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica são o foco das atenções de uma pesquisa realizada no Instituto Médico Legal pelo setor de Educação do Centro de Assessoramento Pedagógico da Universidade Federal do Paraná. Os resultados da pesquisa serão apresentados no 1º Seminário sobre Violência Doméstica, Física e Sexual contra Crianças e Adolescentes, que acontece dia 5 de junho no auditório do Edifício Castelo Branco, em Curitiba.
Das 1.083 perícias realizadas no IML de 1º de janeiro a 23 de maio, entre meninos e meninas de zero a 18 anos incompletos, 811 foram de lesões corporais, 97 de atos libidinosos e 175 de conjunção carnal com meninas.
Os dados mais alarmantes mostram que em meninas entre zero e três anos foram feitas dez perícias para confirmar a conjunção carnal; entre quatro e seis anos, 16 perícias; em meninas de sete a dez anos, 34; entre 11 e 12 anos, 21 perícias; de 13 a 15 anos, 60; e de 16 a 18 anos incompletos, 34 perícias.
‘‘Queremos mostrar à população e aos órgãos públicos os números da violência em crianças e adolescentes e alertar para a necessidade de criar ações preventivas contra a violência doméstica. Em quase todos os casos estas agressões deixam sérias sequelas psicológicas. Esses meninos e meninas chegam às delegacias em estado de desespero depois de passarem por agressões violentas’’, alerta a assistente social do IML Doris Dallmann.
A maioria das vítimas entre as classes sociais mais baixas identifica o agressor, que pode ser o pai, tio, vizinho ou namorado, em média com nível de instrução até o primário incompleto. ‘‘No entanto, entre as classes média e alta as agressões são mais veladas. As pessoas têm medo de se expor, de ir a uma delegacia. Outro fator que impede a identificação do agressor é a ameaça’’, constata Doris. Ela destaca que é um fator que favorece a impunidade.
Para a coordenadora do seminário, Maria Odete Bettega, o desemprego, o alcoolismo e o uso de drogas são fatores diretamente ligados à agressão física a crianças. A pesquisa, segundo ela, vai servir de base para ações de prevenção da violência doméstica.
O professor da UFPR Américo Agostinho Walger, também participante da pesquisa, lembra que Curitiba ainda não tem um Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, embora a criação desse órgão esteja prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990.

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