O Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sócio-Econômicos (Inbrape) deve concluir no próximo dia 22 uma pesquisa encomendada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Londrina para conhecer a realidade desta parte da população londrinense. Há quase um mês 10 pesquisadores estão percorrendo a cidade para entrevistar 2,5 mil famílias que tenham em casa crianças ou adolescentes, independente da renda. O resultado vai nortear o plano de ação do CMDCA para o próximo ano.
Segundo a assessora técnica do Inbrape e coordenadora geral da pesquisa, Jolinda de Moraes Alves, o objetivo é avaliar a realidade pela ótica das famílias e dos próprios adolescentes, e a partir daí indicar as prioridades das políticas públicas e privadas. ''Com a pesquisa será possível perceber se esta população está descoberta em alguma necessidade básica'', informa Jolinda.
A coordenadora ressalta que não se trata de uma pesquisa encomendada pela prefeitura. ''Os recursos são do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente. Além dos questionários destinados as chefes de família também serão aplicados outros 300 específicos para os adolescentes, que serão entrevistados com consentimento dos pais.'' De acordo com Jolinda a tabulação dos dados deve ser concluída em março, com apresentação ao CMDCA em meados de abril.
O Conselho, por sua vez, deve estar com o plano de ação resultante do levantamento pronto até maio. A presidente do CMDCA, Télcia Lamônica de Azevedo Oliveira, afirma que esta é a primeira vez que acontece uma pesquisa tão abrangente. ''Nunca tivemos um instituto, que tem experiência na área, fazendo um trabalho como este'', observa, revelando que a pesquisa tem um custo de R$ 59,2 mil.
As questões, segundo Télcia, foram elaboradas com a participação de várias secretarias e membros do Conselho. ''É um instrumento bem completo, e estamos com uma expectativa muito grande. Neste momento é importante que a população colabore, recebendo bem os pequisadores e respondendo aos questionamentos, até porque eles serão revertidos em benefício para as crianças e adolescentes de Londrina'', pede.
O questionário dedicado às famílias possui oito blocos, com perguntas como as características do domicílio, saúde, política de assistência social, assistência à criança e ao adolescente, cultura, esporte e educação. Os pesquisadores estão trabalhando em todas as regiões da cidade, inclusive distritos.
Para a costureira Inês Bueno, moradora do Jardim Castelo (Zona Leste) e mãe de dois filhos, a iniciativa pode significar melhorias, principalmente na área da saúde. ''É a primeira vez que respondo a uma pesquisa como esta, acho que pode ser útil para nós. Às vezes enfrentamos problemas com a entrega de medicamentos no posto de saúde, por exemplo. Quem sabe depois desta pesquisa o serviço fica melhor'', argumenta.

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