Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reunidos no 10º Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, em Foz do Iguaçu, descartaram ontem a suspeita de existência de sítios arqueológicos no bairro Porto Belo, levantada após cientistas identificarem pontos misteriosos numa fotografia feita pelo satélite de observação da Terra Ikonos.
A hipótese foi cogitada quando os cientistas avaliaram a fotografia da barragem da Itaipu Binacional produzida inicialmente para ser utilizada no material de divulgação do evento. A suspeita era que no local poderiam existir vestígios de artefatos datados da época do descobrimento do Brasil.
Depois de realizar a pesquisa a campo, o grupo de cientistas constatou que os sinais identificados na imagem correspondem a crateras cavadas pelo dono de um terreno situado perto do Rio Paraná, no Porto Belo, região norte, próximo a usina hidrelétrica. ‘‘Os buracos são usados como reservatórios de água para irrigar o terreno’’, resumiu o capataz Sebastião Nelson dos Santos, 34 anos, em meio a movimentação dos cientistas na área.
O pesquisador Paulo Martini avaliou a constatação in loco sem considerá-la frustrante. ‘‘A gente trabalha com várias hipóteses. Aquela que mais agradava a todos, era que (os pontos) fossem sítios’’, amenizou o cientista do Inpe, destacando o alcance do satélite Ikonos. Para ele, sem a checagem no local o mistério dos pontos na fotografia não seria elucidado.
O 10º Simpósio Brasileiro de Sensioramento Remoto conta com a participação de pesquisadores de 12 países, envolvidos na discussão, entre outros temas, do projeto Cbers, um programa de criação de satélite sino-brasileiro (China/Brasil) de recursos terrestres. O evento, realizado no Hotel Mabu, termina nesta quinta-feira.

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