Curitiba - Amor-perfeito, boca-de-leão, ciprestes e árvores como o alfeneiro são algumas das espécies exóticas que estão tomando conta da paisagem curitibana. A pesquisadora Ionara Marcondes constatou que 34% das plantas existentes na cidade são de espécies vindas de outras regiões e apenas 28% são nativas. A dissertação de mestrado em Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) será apresentada hoje. A pesquisadora sugere o uso de espécies como a herbácea Ipomoea spp (foto) para ornamentar os canteiros públicos de Curitiba. ''Ela dá flor o ano inteiro e a prefeitura não precisaria trocar as espécies em cada estação'', explica.
Foram coletadas amostras de plantas em 70 regiões de Curitiba, em parques, praças, ruas, jardins particulares e terrenos baldios. Ionara Marcondes encontrou 556 espécies distribuídas em 107 famílias de plantas. Mas apenas 62% foram identificadas por família, gênero e espécie. Mas não é apenas nos canteiros públicos que as espécies exóticas prevalecem. O mesmo acontece nos jardins particulares da cidade, repleto de ciprestes e flores exóticas.
O maior problema do excesso de espécies exóticas é que algumas delas são muito agressivas e acabam se sobrepondo às nativas. É o caso de uma árvore chamada alfeneiro, originária da China, e cujo caule tem bifurcações que quebram as calçadas da cidade. Além disso, é uma espécie invasora, pois os pássaros espalham suas sementes nos bosques nativos existentes na cidade e a espécie vai dominando a paisagem. ''Ao invés de plantar essa árvore, por que não plantar ipê roxo, por exemplo?'', questiona a pesquisadora.
Ionara Marcondes argumenta que substituir as espécies exóticas por nativas não significa abrir mão das flores que colorem os canteiros públicos, pois, segundo ela, há muitas espécies nativas que são ornamentais também. A vantagem é que elas são aclimatadas e apresentam menos problemas de adaptação, manutenção e menores custos de produção, pois são perenes, ou seja, não morrem ao final de cada estação. ''Queremos chamar a atenção da administração pública para que invista mais na manutenção das espécies nativas. A universidade já tem pesquisas prontas sobre isso para ajudar'', diz a pesquisadora. Segundo ela, até o trevinho que tanto incomoda no meio da grama pode ficar bonito se for plantado num canteiro.

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