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Kraw PenasO médico Carlos Moreira Jr: aplicação dos testes em seres humanos pode começar no próximo anoEspecialistas do Serviço de Oftalmologia do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR estão desenvolvendo uma pesquisa inédita no combate ao descolamento de retina. O problema, que atinge cerca de 150 curitibanos a cada ano, pode levar o paciente à cegueira, caso não seja tratado adequadamente. Na semana passada, a primeira fase da pesquisa recebeu um dos prêmios mais importantes da área médica nacional, o Optotal-Hoya-Japan Airlines.
Um dos autores da pesquisa, o médico Carlos Moreira Jr., explicou que o descolamento de retina é tratado atualmente através de cirurgia à laser ou crioterapia, uma sonda gelada que fecha a ruptura da retina à 80 graus centígrados negativos.
‘‘Estes métodos apresentam uma série de dificuldades, pois geralmente geram inflamações e levam dez dias em média para apresentar alguma eficácia’’, afirmou Moreira Jr. Estes foram os principais motivos que levaram a equipe, há um ano, a iniciar pesquisas para desenvolvimento do novo tratamento, que já foi testado com sucesso em animais.
‘‘O processo básico é o mesmo da cicatrização de ferimentos, onde o sangue coagula e refaz o tecido’’, explicou o médico. Como não seria possível criar uma parede opaca nos olhos, os especialistas desenvolveram um adesivo biológico, utilizando apenas os componentes sanguíneos responsáveis pela aderência.
As pessoas mais sujeitas a sofrer um descolamento de retina, segundo explicou o médico, são os que apresentam problemas de miopia ou idade superior a 40 anos.
O novo método foi desenvolvido e aprovado em coelhos. A próxima etapa será testá-lo em macacos. ‘‘Provavelmente no próximo ano terá início a aplicação dos testes em seres humanos’’, garantiu Moreira Jr. Ele contou que os R$ 8 mil recebidos pelo prêmio serão reaplicados na pesquisa.
A expectativa é de que os adesivos orgânicos sejam desenvolvidos à partir do sangue do próprio paciente, o que diminuiria o risco de inflamação. ‘‘Poderíamos colher aproximadamente 500 mililitros de sangue pela manhã, por exemplo, desenvolver o adesivo e aplicá-lo à tarde’’, disse. Através do novo método, a colagem de retina, segundo o especialista, é imediata.

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