Pesquisa cria modelo de vigilância para o PR
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Da editoria 
Durante dois anos, entre 2004 e 2006, na região de Porto Rico, Noroeste do Paraná, veterinários, biólogos e entomologistas capturaram e pesquisaram mais de 140 macacos-prego e bugios, com o objetivo inicial de estudar a circulação do vírus da febre amarela nestes primatas. ''Era preciso considerar a hipótese, felizmente não comprovada, de febre amarela silvestre no Paraná'', afirma o coordenador da pesquisa, o professor e pesquisador Italmar Navarro, do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Este trabalho resultou na descoberta, confirmada pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém, - referência internacional no diagnóstico de doenças em animais - da circulação do vírus da Encefalite Saint Louis nos primatas pesquisados: macacos-prego (das espécies Cebus nigritus e Cebus cay) e bugios (da espécie Alouatta caraya).
''A doença é endêmica nos Estados Unidos, Canadá e Argentina, onde foram inclusive constatados vários casos de mortes em humanos'', afirma Navarro. No Brasil, e de acordo com os pesquisadores, a doença não representa riscos para a saúde pública.
O projeto ''Investigação e monitoramento da circulação do vírus da febre amarela e outros arbovírus de interesse visando a criação de um modelo estadual de vigilância epidemiológica'' custou R$ 298 mil e foi financiado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Também participaram desse trabalho, que conta com recursos da ordem de R$ 564 mil para o período 2007-2010, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa); o Ministério da Saúde; a Fundação Nacional de Saúde (Funasa); o Instituto Evandro Chagas, de Belém; o Centro Nacional de Primatas, de Ananindeua, Pará; e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, que autorizou a captura dos animais.
Durante a pesquisa, o professor e pesquisador da área de Medicina Veterinária da UFPR - Campus de Palotina, Walfrido Kuhl Svoboda, desenvolveu tese de doutorado propondo a criação de um ''modelo de vigilância para o controle e prevenção da febre amarela silvestre e outras enfermidades de interesse à saúde pública'' a partir do monitoramento sanitário de populações de primatas. O modelo proposto será usado rotineiramente no Paraná e também em toda a região de transição da doença no Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás).
Além da necessidade permanente de estudar novas doenças em animais e em seres humanos, os pesquisadores paranaenses tinham como cenário para a sua pesquisa o registro, no ano passado, da morte de centenas de macacos na região endêmica da febre amarela, que compreende os estados das regiões norte e centro-oeste do Brasil, onde vivem cerca de 27 milhões de pessoas.
Segundo Navarro, em 2001, no oeste do Rio Grande do Sul, também foram detectados casos de febre amarela silvestre em populações de macacos. ''Bandos inteiros foram dizimados'', conta. Entre os estudiosos do assunto, é sabido que a mortandade de primatas opera como um alerta para a saúde pública. Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde classificam os primatas como ''animais sentinelas'' contra uma eventual entrada da febre amarela.
''Atualmente, no Paraná, não temos a doença nem em animais nem em seres humanos'', assegura Navarro. De acordo com a Sesa, o último caso de febre amarela no Paraná , na forma silvestre, foi em 1971.


