O aumento dos atos infracionais entre adolescentes, praticados com o uso de armas de fogo, já era perceptível na prática e agora também foi atestado na teoria. Pesquisa realizada pela UEL no subprojeto ''Mapeamento da Criminalidade Juvenil em Londrina'' que compõe o ''Projeto Integrado de Reordenamento Político, Jurídico e Administrativo do Estado no Âmbito da Criança e do Adolescente'' aponta que entre 1999 e 2003 cresceram os casos de menores apreendidos por portar armas de fogo e por crimes de homicídio e latrocínio roubo seguido de morte.
A pesquisa analisou 1.351 adolescentes, entre 12 e 18 anos, que passaram pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Em 1999, apenas 0,6% dos delitos representavam homicídios e 1,1% latrocínio. Em 2002, o percentual de homicídios aumentou para 3,2%. No ano passado houve um salto ainda maior: os homicídios chegaram a 8,9% enquanto os roubos seguidos de morte atingiram 2,2%.
Com relação ao total de adolescentes surpreendidos portando armas de fogo, a pesquisa também revela dados preocupantes. Se em 1999, o porte de arma representava 26,1% dos atos infracionais registrados, em 2003 esse crime passou a representar mais da metade das infrações: 50,8%.
Como informa a acadêmica de Serviço Social que integrou a equipe de pesquisa, Viviani Yoshinaga Carlos, a maioria das infrações 86% foi cometida por adolescentes com idades entre 15 e 17 anos. ''Independente do tipo de agressão, verbal ou física, banal ou fútil, na presença de arma pode se transformar em um homicídio ou latrocínio'', comenta. Segundo a professora Mari Nilza Ferrari de Barros, a pesquisa servirá de base para que o município, as instituições que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente e as entidades de assistência social que atendem esses jovens possam traçar alternativas de atuação que, ''efetivamente, visem transformar essa realidade''.
Para o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Joaquim Antônio de Melo, a criminalidade juvenil aumentou porque ''o adolescente tem uma falsa sensação de impunidade''. ''Eles falam dos crimes e não demonstram nenhum arrependimento'', observa. O delegado revela que desde que assumiu a Força-tarefa de homicídios, há pouco mais de um mês, ocorreram 19 crimes. Destes, 12 tiveram envolvimento comprovado de menores, como autores ou co-autores. ''A maioria já tinha antecedentes no Ciaadi e um deles já tinha praticado um homicídio no ano passado'', destacou.

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