No Jardim União da Vitória (Zona Sul de Londrina), bairro formado por diversos conjuntos com cerca de 16 mil habitantes, só o que não falta é disposição para brigar por melhores condições de vida. O bairro é o único do município a contar com um conselho reunindo todas as associações e entidades da comunidade mas, mesmo assim, pesquisa apresentada ontem e realizada por acadêmicos e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) constatou que os moradores sofrem de problemas crônicos como o desemprego, a baixa escolaridade, falta de qualificação profissional, endividamento, insegurança e falta de opções de lazer.
Com o resultado da pesquisa em mãos, o Poder Público agora poderá ser cobrado de forma mais efetiva, como avisou o coordenador do Conselho de Entidades do Jardim União da Vitória, Antônio Zerbini de Oliveira. ''A pesquisa não é nenhuma novidade para quem vive o dia-a-dia da comunidade. O Poder Público vai ter que aceitar que quando falamos que não temos uma escola de 2º grau é porque temos essa necessidade '', apontou.
Foram pesquisados 3000 moradores, o que correspondente a 764 famílias ou 28% da população cadastrada no posto de saúde do bairro. Quanto ao nível sócio-econômico, a taxa de desemprego em relação às pessoas economicamente ativas (71%) é de 25%, superior à taxa nacional de 13% e à de Londrina, que é de 9%, segundo dados do IBGE. A renda per capita é inferior a R$ 90,00. Em 56% das residências pesquisadas, há pelo menos 1 e às vezes até 8 pessoas desempregadas. O fato de morar no bairro e a falta de qualificação profissional foram algumas das justificativas apontadas como bloqueios para encontrar vagas no mercado de trabalho. Dentre as urgências, a comunidade pede uma escola de ensino médio, a implantação de cursos profissionalizantes e a criação de mais áreas de lazer.
Na educação, o percentual de analfabetos chega a 64% entre os idosos (maiores de 60 anos) e a 12% entre os adultos. Quanto ao nível de escolaridade, apenas 20% dos jovens e 14% dos adultos frequentam o ensino médio. Entre as crianças de 0 a 6 anos, apenas 18 de um total de 434 estão matriculadas em instituições públicas ou privadas. A pesquisa apontou também que o sonho da casa própria, justificativa apontada por quase metade dos entrevistados para se mudarem para o bairro, ainda é realidade para poucos: 83% ainda não conseguiram regularizar a situação do imóvel.
Essas condições não geraram outra coisa senão insegurança para a comunidade, como comprovou a pesquisa e confirmaram à Folha a doméstica Edite Aparecida de Araújo e o motorista desempregado José de Jesus. Josefa contou que o bairro ''já teve épocas mais difíceis'' mas a segurança tem que ser prioridade sempre. Jesus, que mora há 18 anos no União, completou: ''por enquanto fui feliz aqui, mas de uns anos para cá essa molecada está atazanando a vida da gente. O governo tem que dar emprego e educação para essa rapaziada'', concluiu.

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