Pesquisa busca soluções para lixo no Calçadão
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) iniciou ontem uma pesquisa que visa encontrar soluções para o problema do acúmulo de lixo no Calçadão (Área Central). De acordo com o presidente da entidade, José Augusto Rapcham, cerca de 100 moradores e 50 comerciantes do local serão consultados até a próxima semana. Os resultados serão tabulados e entregues à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Na semana passada, a Folha adiantou um exemplo do problema na Praça Gabriel Martins, entre as avenidas João Cândido e São Paulo. Ali, o acúmulo de sacos de lixo depositados principalmente por moradores dos condomínios próximos facilita a ação de crianças e adolescentes que ''garimpam'' o material no próprio local. Uma boa parte do lixo acaba ficando espalhada no Calçadão, causando mau cheiro, atraindo moscas e prejudicando a imagem do ponto mais movimentado da cidade. A coleta municipal é feita diariamente, mas os caminhões só passam à noite.
''Como a coleta de lixo não está sendo feita de maneira adequada, a limpeza pública no Calçadão também não consegue ser efetiva. A sujeira é intensificada durante o dia todo e isso gera um sério problema de higiene'', alegou Rapcham. ''Precisamos encontrar uma solução em consenso para, posteriormente, exigir que todos acatem a decisão e não mais depositem o lixo da maneira que melhor lhes convêm'', completou.
A sugestão do vice-presidente da Associação dos Moradores e Proprietários do Centro de Londrina, Alfredo Hildebrand, 60, é que o caminhão de coleta de lixo estacionasse diariamente em um local especialmente reservado para ele, junto ao Calçadão, e ali permanecesse das 17 às 18 horas. ''Os moradores e comerciantes só poderiam levar o lixo para fora nesse horário'', explicou.
O taxista Jonatas Hill, 26, que trabalha em um ponto da Avenida João Cândido, opinou que a CMTU deveria instalar caçambas no Calçadão, com discriminação de lixo orgânico e reciclável, protegidas com chaves para evitar a ação dos catadores de papel. ''Cada morador teria sua chave e depositaria seu lixo ali, sob fiscalização. O recolhimento seria feito duas vezes ao dia'', planejou. Já o gerente Marco Antônio Bruno, 28, declarou que os comerciantes e moradores deveriam seguir o exemplo da farmácia na qual trabalha, também no Calçadão. ''Mesmo quando o lixo se acumula, nós o retemos até à noite e só levamos para fora quando a coleta está prestes a passar'', apontou.
O presidente da Acil afirmou que a pesquisa sobre o lixo será feita por amostragem e deverá ser encaminhada à CMTU a partir do dia 21. ''Estamos aproveitando uma estrutura de que a Acil já dispõe, como um sistema de call-center, para mostrar ao poder público possíveis soluções para problemas que afetam a população em geral. A questão do lixo é só o começo'', concluiu.
De acordo com o presidente da CMTU de Londrina, Gabriel Ribeiro de Campos, a Companhia implantou uma linha de especial para coleta de lixo orgânico dos restaurantes e antecipou o horário de passagem do caminhão na área central como medidas emergenciais. Campos esclarece que a CMTU espera receber a pesquisa feita pela Acil com as rotinas dos moradores e empresas da região para tomar outras medidas. ''Não vamos medir esforços para atender os moradores e empresários do centro. Podemos readaptar todo o sistema de coleta de lixo na região para melhor atender a população'', ressaltou. (Colaborou Jacira Werle)


