Edson MazzettoNúmeros da usinaA barragem terá 1.083 metros de comprimento, 67 de altura e represará 3.573 bilhões de m3 de água Comunidades do Oeste e Sudoeste do Paraná começaram a avaliar ontem o impacto sócio-econômico que o alagamento do Rio Iguaçu, com o fechamento das comportas das barragens da Hidrelétrica de Salto Caxias, no final do ano, poderá causar. As discussões têm como base pesquisa realizada durante dois meses pelo Projeto PróCaxias, desenvolvido pela Copel e pelo Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae/PR), em parceria com as comunidades que permanecerão na região impactada.
A pesquisa colheu informações sobre a estrutura pública e privada que poderá dar suporte a projetos de desenvolvimento. A avaliação foi iniciada na manhã de ontem em Boa Vista da Aparecida, que ao lado de Capitão Leônidas Marques - onde está o canteiro de obras da usina -, é um dos municípios que mais sofrem o impacto, já iniciado com a saída de famílias que terão terras alagadas. Com isso, comércio e serviços perdem clientela e a produção agrícola é reduzida, além de reflexos no Poder Público devido à redução de receita.
Em 370 questionários aplicados em Boa Vista da Aparecida, 91% apontaram como setores mais deficientes o turismo e 73% o lazer, o que indica a possibilidade de investimentos em projetos que aproveitem as margens do lago, de 141 quilômetros quadrados, que será formado no final do ano. Ontem à tarde foram avaliadas as pesquisas feitas em Capitão Leônidas Marques e Cruzeiro do Iguaçu. Entre hoje e sábado o mesmo ocorrerá em outros seis municípios ao longo das margens do Rio Iguaçu.
O consultor do Sebrae, Orestes Hotz, explica que as próprias comunidades têm condições de definir objetivos, a partir da constatação da realidade local. O PróCaxias é desenvolvido em paralelo às ações da Copel de reassentamento de 600 famílias, fornecimento de cartas de crédito para outras 334 comprar terra por conta própria e indenização em dinheiro de 1,1 mil propriedades e pequenos comércios.
O projeto tem o objetivo de abrir perspectivas sociais e econômicas para quem permanecerá na região impactada e precisará de serviços públicos e de empreendimentos que alimentem a economia.
BarragemA Copel está iniciando testes com as 14 comportas - cada uma pesando 200 toneladas - do vertedouro da barragem de Salto Caxias. A estrutura serve para regular o nível do reservatório, considerando a vazão média histórica do Rio Iguaçu de 1.248 metros cúbicos por segundo. As comportas podem verter 30 vezes este volume em períodos de cheias. As primeiras avaliações são de que a estrutura funcionará satisfatoriamente, segundo o engenheiro Roberto Bertol, da divisão de instalação eletromecânica.
Também estão sendo iniciadas as obras do defletor do vertedouro, que dispersa as águas que atingem velocidade de 20 metros por segundo após passar pelas comportas, evitando erosão do leito do rio e da própria base da barragem. O defletor, conhecido como ‘‘salto de esqui’’, lança as águas a uma distância de 80 metros da barragem e é tido como o principal espetáculo visual pelos que visitam hidrelétricas.
A barragem de Salto Caxias terá 1.083 metros de comprimento, 67 metros de altura e represará 3.573 bilhões de metros cúbicos de água. A usina, com custo de R$ 1 bilhão, gerará 1.240 MW de energia.

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