Pesquisa apresenta propostas para bairro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de dezembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Construção de escolas de ensino médio, creches e espaços públicos de lazer, maior número de médicos e projetos capazes de dar aos jovens uma nova perspectiva de vida. Estas são algumas das propostas que serão apresentadas hoje à noite, durante reunião entre representantes de órgãos públicos, instituições de serviço, Organizações Não Governamentais, empresas privadas e um grupo de pesquisa interdisciplinar, formado por alunos e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O grupo levantou, durante oito meses, os principais problemas vividos pela população do Jardim União da Vitória (Zona Sul de Londrina).
Os resultados da pesquisa foram divulgados no mês de junho, quando a Folha publicou reportagem sobre o assunto. Partindo das demandas mais importantes, os pesquisadores iniciaram, nos meses seguintes, um levantamento junto a representantes da população para chegar a propostas capazes de mudar o quadro de dificuldades vividos pelos cerca de 16 mil moradores do bairro. ''Trata-se, porém, de ações que só podem ser viabilizadas através de parcerias, seja com a iniciativa pública ou privada'', argumenta a professora do curso de Relações Públicas, Regina Célia Escudero César, coordenadora da pesquisa.
Segundo a professora, o União da Vitória tem uma peculiaridade: apesar da taxa de analfabetismo 9% estar abaixo da média do País, que é de 13%, mais da metade da população jovem e adulta (66%) não consegue chegar ao ensino médio e, portanto, apresenta-se desqualificada para o mercado de trabalho. ''Daí a necessidade de escolas de ensino médio no bairro'', completa Regina, lembrando que foi justamente o desejo de dar uma resposta ao alto índice de desemprego que motivou a projeto.
Ainda na área da educação, as mulheres entrevistadas propõem a criação de mais creches. De um universo de 400 crianças de zero a seis anos inseridas na pesquisa, apenas 18 estavam matriculadas. ''As creches existentes só atendem filhos de mães que têm trabalho formal, com carteira assinada, o que dificulta muito porque a maioria sobrevive do trabalho informal.''
Outra preocupação, de acordo com o grupo de pesquisadores, é a ausência de espaços de lazer e cultura, como praças e centros de convivência. Foram entrevistadas pessoas nunca foram ao cinema ou assistiram a uma peça de teatro, por exemplo.


