Pesquisa aponta que problema pode ser contornado
Docentes do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), juntamente com um grupo de estudantes do curso de gradução desenvolveram uma pesquisa para identificar as maiores causas de violência nas escolas estaduais localizadas na periferia de Londrina. Conforme a coordenadora do projeto, Andrea Pires Rocha, participaram da pesquisa 27 escolas. O projeto foi iniciado em 2008 e prorrogado até junho de 2010.
Segundo ela, o que chamou atenção na pesquisa foi observar que de forma geral a violência registrada nas escolas é interpessoal, ou seja, entre os próprios estudantes. ''O polêmico é observar que são questões que poderiam ser resolvidas se houvessem políticas para a juventude. Nosso maior registro na pesquisa foi de briguinhas de todo dia'', destaca.
A pesquisadora afirma que a violência considerada grave acontece muito pouco, mas quando ocorre ganha grande visibilidade porque precisa de intervenção policial. ''Se houvesse mais investimento na própria escola é claro que resolveria a maioria destas questões'', diz.
Para Andrea, o comportamento dos alunos nas escolas reflete a imagem de uma sociedade violenta. ''Não dá para falar que uma região ou um órgão é lugar de violência, pois o comportamento violento está em todos os espaços'', afirmou. Ela ressalta que a escola acaba se tornando um palco de conflitos. ''Faltam políticas e projetos num sentido geral, que garantam saúde, lazer, emprego e habitação. A violência que existe nas escolas não é grave, dá para administrar a situação se houver trabalhos em torno disso'', defende.
Ela diz que a situação das salas de aula, que possuem em média 40 alunos, a sobrecarga e baixa remuneração dos professores contribuem com o problema. ''Conversamos com alguns estudantes e eles contam que a violência começa no bairro e as contas 'são acertadas' na escola. É complexo. Que atividades são disponibilizadas para a juventude canalizar a energia de forma construtiva? Alguns bairros até apresentam iniciativas, mas via de regra não existe'', afirma.
De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Ensino, Lucia Cortez, os diretores das escolas são orientados a desenvolverem projetos que tragam a comunidade para dentro das instituições. ''Percebemos que as escolas que aplicam atividades como esta enfrentam menos problemas de violência'', explica. ''A violência está relacionada à falta de limites e este é um quesito que a criança precisa aprender em casa'', completa.
Lucia diz que por enquanto não há projetos do Núcleo para combater a violência. ''Insistimos na participação dos pais nas escolas e acreditamos que essa é uma medida que combate à violência'', destaca. (M.A.)





