Pesquisa aponta problemas de bairro carente
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terça-feira, 30 de setembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniMudançaO bairro foi totalmente urbanizado, mas os moradores ainda sofrem com a discriminaçãoCerca de 50 voluntários do Movimento Cidadania e Participação passaram o domingo pesquisando as condições sócio-econômicas das quase 250 famílias do Conjunto Santa Felicidade, bairro mais carente de Maringá. Mais de 90% das 247 residências foram visitadas, e os dados serão agora utilizados para um programa de promoção humana junto às famílias do bairro. O trabalho vai se somar ao projeto Reconstruir, que é desenvolvido por seis secretarias e outros dois órgãos da administração municipal no Santa Felicidade.
A maior preocupação detectada na pesquisa de domingo, cujos resultados ainda estão em tabulação, é a falta de emprego. O vereador Basílio Bacarin (PSDB), criador do movimento, lembra que o bairro foi totalmente urbanizado durante as últimas administrações, mas ainda sofre com a falta de oportunidades para os moradores. Criado a partir de um projeto de desfavelamento da área urbana, o Santa Felicidade sofre também com a discriminação da comunidade.
A pesquisa mostra que a maior parte dos moradores não encontra emprego pelo simples fato de morar no bairro. A pessoa pode ter todas as qualidade exigidas para o emprego, mas quando fala que mora aqui é descartada, afirma o presidente da Associação Comunitária do Santa Felicidade, Atílio de Oliveira.
Ele aprova a iniciativa da prefeitura em mostrar preocupação com o conjunto, mas defende a mudança do nome do bairro. O Santa Felicidade mudou nos últimos anos, hoje não existe mais marginal aqui, e queremos um outro nome para a população saber que hoje o bairro é de trabalhadores, afirma.
O projeto do município, que vai utilizar os dados levantados pelo movimento, pretende criar oportunidades aos moradores. A intenção é aproveitar a estrutura da escola para profissionalizar as mulheres e adolescentes.
O município já conseguiu R$ 2 mil do Estado para iniciar cursos de corte e costura e de serigrafia. A prefeitura está também reformando a escola municipal para abrigar os cursos e as atividades comunitárias. Com a promoção humana queremos solucionar boa parte dos problemas do bairro, explica a secretária de Educação, Mara Sperandio Cremm.
A pesquisa mostrou que muitas casas estão com o fornecimento de água e energia cortados e com prestações em atraso. Outro objetivo é mudar o comportamento das crianças, que ficam pelas ruas durante o dia e de noite vão para o centro da cidade pedir esmolas. Vamos desenvolver projetos específicos para cada faixa de morador, revertendo as condições de vida da população, promete a secretária.


