Pesquisa aponta causas de acidentes
O Paraná está realizando a primeira pesquisa nacional sobre causas de acidentes e doenças do trabalho
Joel RochaPerigoA construção civil é uma das atividades visadas pelo programa de saúde do trabalhadorA cada três minutos
uma pessoa morre, no
mundo, vítima de acidente
acidente de trabalho
Da Redação
O Paraná é o primeiro Estado a criar uma estrutura para investigar as causas de acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho. O levantamento está sendo coordenado pela Secretaria da Saúde. A preocupação do governo é mapear a situação de risco e a saúde do trabalhador paranaense, para evitar casos de morte e de amputação, além de reduzir as doenças que têm como causa as condições de trabalho.
Dados da Organização Mundial da Saúde informam que 120 milhões de pessoas sofrem acidentes de trabalho e 200 mil morrem anualmente em todo o mundo. O que corresponde a um óbito a cada três minutos e a quatro lesões por segundo.
Até 1996, o Paraná, como todo o País, só dispunha de dados da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), que cobre apenas os trabalhadores com carteira assinada, ou cerca de 45% do universo total. Para obter informações sobre a massa de trabalhadores no Estado, incluindo o mercado informal e autônomos, a Secretaria da Saúde, em convênio com o Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador (Cemast) e secretarias municipais, criaram centros de atendimento à saúde do trabalhador.
A secretaria e o Cemast treinaram cerca de 300 pessoas, que atuam no acompanhamento da situação. O programa Protegendo a Vida, da Secretaria da Saúde, entrou este ano no projeto, com a criação de três cursos. Os cursos vão atender cerca de 200 pessoas de 118 municípios.
‘‘As informações dão visibilidade à questão e permitem planejar ações’’, diz o coordenador do Cemast, Guilherme de Souza Cavalcanti de Albuquerque.
O trabalho já obteve resultados, eliminando a situação de risco em alguns casos. Em janeiro, por exemplo, o Paraná proibiu o uso de sílica no jateamento de areia. Com isso, evitou a continuidade de uma doença progressiva e irreversível, a silicose, geralmente confundida com tuberculose.
Aliados para diminuir os riscos de acidentes no trabalho, os centros de atendimento à saúde do trabalhador elegem eventos-sentinelas em sua região - um evento grave e evitável, como óbito e amputação, e doenças específicas causadas por algum tipo de atividade típica do local - detectam casos, confirmam ou não sua relação com a atividade profissional e, além de encaminhar o doente para tratamento, orientam a ação das autoridades.
Uma das principais causa de morte de trabalhadores, sobretudo na construção civil - que é o ramo de atividade onde ocorre o maior número de óbitos -, a queda é definida pelos centros como um ‘‘acidente evitável’’. ‘‘Para que ela não aconteça basta seguir as normas de segurança recomendadas para o trabalho. É só fazer cumprir a lei e, para isso, é preciso exercer vigilância’’, diz.
Um exemplo claro da atuação dos centros de atendimento é o trabalho que vem sendo desenvolvido na identificação dos casos de intoxicação por agrotóxicos. O município de Antonio Olinto notificava poucos mas constantes casos de intoxicações. Com o treinamento de médicos, professores e a comunidade, foram identificados dez vezes mais casos, alertando as autoridades para o problema na região.
‘‘Ao enxergar o que estava ocorrendo, a vigilância sanitária pôde tomar medidas mais adequadas e a Secretaria da Agricultura passou a controlar mais de perto a compra, venda e o tipo do produto comercializado na região, impedindo o uso indiscriminado de agrotóxico’’, diz Albuquerque.

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