Pesquisa aponta 61% de excluídos
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segunda-feira, 14 de julho de 1997
Curitiba 
Arquivo FolhaMundo novoResultado da pesquisa reflete o novo cenário do mercado de trabalho, cada vez mais enxuto e seletivo, indicando grau de adaptação às novas exigênciasSessenta e um por cento da população do Paraná são excluídos - pessoas à margem de qualquer meio de ascensão social -, segundo pesquisa divulgada no último final de semana pelo instituto Datafolha. É uma porcentagem superior à média nacional de excluídos, que é de 59%, e à dos demais estados da região Sul. Curitiba aparece na pesquisa com 42% de excluídos - a pior situação entre as capitais do Sul e Sudeste.
Foram agrupadas como excluídas pessoas que, na sua maioria, têm escolaridade baixa (no máximo 1º grau), renda familiar menor que dez salários mínimos e pertencem às classes D e E. A pesquisa definiu quatro outros segmentos: elite, batalhadores, remediados e decadentes, sempre de acordo com a junção dos critérios renda familiar, escolaridade e classe social.
O coordenador do trabalho, Mauro Francisco Paulino, diz que o resultado reflete principalmente o novo cenário do mercado de trabalho, cada vez mais enxuto e seletivo. Assim, segundo ele, cada grupo indica, de maneira geral, o grau de adaptação de seus integrantes a esse novo mercado. Os dados confirmam que só escolaridade, hoje em dia, não determina essa adaptação, afirma.
No Paraná, a pesquisa foi aplicada em 33 municípios. O resultado é preocupante não apenas pelo número de excluídos, mas também pela porcentagem de decadentes: 15%, também superior à média nacional, que é de 14%. Nesse grupo estão pessoas com no mínimo 2º grau completo, renda familiar inferior a dez salários mínimos, idade média de 31 anos e na maioria (74%) pertencentes à classe C.
O grande número de decadentes é um fenômeno constatado em todo o Sul do País. São pessoas com escolaridade um pouco maior, mas que têm dificuldades de adaptação ao mercado de trabalho, afirma Paulino. Nesse item, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam quadro pior que o do Paraná, com 21% e 19% de decadentes, respectivamente.
O quadro relativo ao Paraná revela ainda que 13% da população são remediados (escolaridade média e renda familiar entre dez e 20 salários mínimos) e 2% são batalhadores (aqueles que, na maioria, têm apenas 1º grau completo, mas ganham mais que 20 salários mínimos).
Da elite, fazem parte 9% dos paranaenses - contra, por exemplo, 8% na média nacional, 12% em São Paulo e 11% em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São consideradas integrantes da elite pessoas que, na maioria, têm nível de escolaridade superior, renda familiar maior que 20 salários mínimos e integram a classe B.
No ranking das capitais, Curitiba aparece como a capital do Sul e Sudeste com maior número de excluídos, mas tem menos decadentes (15%) que Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Chama a atenção o fato de que Curitiba, em relação ao Paraná, tem um percentual bem mais alto da população enquadrada na elite: são 17% contra 9%.


