Pesquisa analisa lei da amamentação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Carolina Avansini De Londrina 
Empresas de Londrina cumprem de forma satisfatória as leis de proteção que garantem o direito de amamentar às mães trabalhadoras, mas apesar da disposição, as funcionárias nem sempre conseguem manter o aleitamento após o término da licença-maternidade. Esta realidade foi constatada em pesquisa de mestrado feita pela enfermeira Kátia Kreling Vezozzo, funcionária do Sesc e professora do Cesulon. Os resultados serão divulgados hoje numa palestra no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).
Ela fez um levantamento em 108 empresas da cidade, com mais de 30 mulheres empregadas, e concluiu que a falta de informação, a distância entre o trabalho da mãe e o bebê e o estabelecimento de horários fixos para os dois intervalos de 30 minutos que a lei propõe para a tarefa dificultam a amamentação.
Meia hora nem sempre é suficiente para a mulher chegar até o local onde está o bebê. E mesmo quando ela consegue, a criança pode estar dormindo ou sem fome, dificultando o processo. Sem condições de amamentar, acaba apelando para a mamadeira, estimulando o filho a rejeitar o peito, diz.
A pesquisadora constatou que 67,1% das entrevistadas utilizam o intervalo. Porém, 57,4% afirmaram que ele contribui pouco para que o aleitamento aconteça. Outro problema identificado foi a falta de creches ou estabelecimentos conveniados que recebam as crianças.
Pela lei, empresas com mais de 30 mulheres acima de 16 anos devem ter local para guarda do bebê durante a amamentação ou convênio com creche próxima. A inclusão de remuneração extra no salário para pagamento de serviços particulares também é alternativa aceita. Em Londrina, 38% das empresas oferecem o benefício, mas apenas 25,7% das mulheres utilizam. Normalmente elas acham que a creche conveniada fica longe ou não é adequada para deixar os bebês, informa.
Para solucionar o problema, ela propõe algumas medidas simples. Oferecer intervalos com horários flexíveis ou instalar uma sala para ordenha e amamentação já ajudariam, defende. Kátia acrescenta que os empresários também seriam beneficiados pela melhora nos índices de amamentação, pois o leite materno protege de infecções, evitando doenças e as consequentes faltas da mãe.


