Curitiba - Se o comportamento dos adolescentes é um reflexo do modo de vida dos pais, o sinal de alerta está aceso. Recente pesquisa indica que os jovens curitibanos estão entre os que mais fumam, bebem e se drogam no país. Para a psicóloga Shani Falchetti, mestre em educação, pode-se concluir que os adultos seguem a mesma linha.
Segundo Shani, o comportamento familiar contribui em aproximadamente 70% nas atitudes do adolescente. ''É na infância, até os sete anos, que se cria a personalidade da pessoa. Se não existem regras em casa nessa fase da vida, tudo se torna mais difícil'', opina.
Os pais perderam nos últimos anos uma aliada muito importante: a escola. ''Os governos Federal e Estadual alteraram diversas portarias educacionais. Isso contribuiu para a mudança de comportamento'', explica. Para Shani, antigamente a vida na escola tinha mais regras. Hoje, os adolescentes têm a liberdade mais cedo. ''Houve um tempo em que os professores avaliavam o aluno conforme a nota na prova e o comportamento na sala. Hoje, existe a cultura de que reprovar desestimula. A minimização das regras escolares contribuiu para o aumento dos problemas'', opina.
Saúde escolar
Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostra que os adolescentes de Curitiba são os que mais fumam, bebem e se drogam, quando comparados com o mesmo público de outras capitais brasileiras. A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense) apresenta informações sobre as condições de vida dos estudantes, e contou com a colaboração de meninos e meninas, alunos do 9º ano do ensino fundamental, entre 13 a 15 anos.
Cerca de 25% dos entrevistados já experimentaram cigarro pelo menos uma vez na vida: em Curitiba, o índice é de 35%. O consumo de bebida alcoólica também é grande entre os curitibanos. Pouco mais de 80% dos entrevistados afirmaram já ter experimentado álcool. A média nacional é de 73,1%. Declararam ter consumido bebida nos 30 dias anteriores à pesquisa 36,4% dos adolescentes de Curitiba. A média nacional é 27,3%. Já haviam se embriagado 22,1% dos entrevistados em todo o País. Mais uma vez Curitiba foi a capital com o maior índice (30%).
A Pense verificou que 8,7% dos jovens entrevistados entre 13 e 15 anos já usaram alguma droga ilícita, como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume ou ecstasy. O maior percentual foi encontrado em Curitiba (13,2%) e o menor em Macapá (5,3%).
Má influência
A dona de casa Luciane Muginoski, mãe de Aline, 16, e Rafaela, 23, diz que o consumo de álcool é muitas vezes influenciado pelos próprios pais. ''Tem festa de 15 anos que os pais da aniversariante perguntam o que as amigas querem beber. Eles mesmos oferecem algo alcoólico'', revela.
A influência dos amigos também é preocupação constante. ''Sempre procuro saber com quem elas andam. É necessário ficar atenta'', diz Luciane. O mesmo cuidado toma a artista plástica Isabelle Jatobá, mãe de dois filhos, um de 11 e outro de 14 anos.
Na casa de Isabelle, os adultos tentam sempre dar o exemplo. Além de ninguém fumar, a bebida alcoólica é consumida raramente, e mesmo assim sem excessos. ''Ajuda muito os pais não fumarem. Mas temos parentes que fumam, então conversamos sobre isso em casa.'' O filho mais novo de Isabelle já assistiu palestras da Polícia Rodoviária realizadas na escola em que estuda. Assim, pôde ver como a bebida causa acidentes no trânsito. Ela acredita que a prática de esporte pode ser uma maneira de deixar os filhos alertas sobre o assunto. ''O mundo esportivo prega muito a saúde. Essa mentalidade de ser saudável contribui para conscientizar os jovens.''

mockup