O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCM), João Caetano Marchesini, é criador de um projeto de combate à obesidade infantil que coloca a escola como agente de prevenção do problema entre as crianças de 7 a 11 anos de idade, com a inclusão no currículo escolar da disciplina de educação alimentar. A ideia do cirurgião paranaense já foi apresentada a um deputado estadual e deve ser levada também à Câmara Federal e à SBCM. "Se a criança chegar aos 11 anos com embasamento, ela vai fazer escolhas inteligentes e ainda corrigir a conduta dos pais. As crianças e adolescentes mais velhos são um caso mais complexo e não devemos desistir deles, mas a infância é a grande fase para se trabalhar e a minha proposta é trabalhar com elas de forma lúdica", explicou Marchesini. "Hoje a criança não tem escolha, come o que coloca na frente dela."
Segundo o médico, a Assembleia Legislativa analisa a legalidade da proposta. "Estamos procurando apoio para esse projeto no qual estou trabalhando há três anos. Ele também prevê a cobrança de impostos sobre alimentos não saudáveis para financiar os alimentos saudáveis e a rotulagem dos alimentos indicando as calorias boas e ruins como se fosse um semáforo, com as cores verde, amarela e vermelha."
Marchesini aponta "um emaranhado de fatores" para explicar a alta incidência de obesidade entre a população. Ele cita uma pesquisa feita há três anos pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) que apontou que 22% dos adolescentes paranaenses entre 13 e 16 anos de idade estavam acima do peso considerado ideal. "A obesidade é mais complexa do que achar um único culpado. As crianças hoje não estão mais brincando e os adolescentes passam grande parte do tempo no computador ou jogando videogame."

Imagem ilustrativa da imagem PESQUISA - Educação alimentar no currículo escolar



Outro fator que contribui para o aumento da obesidade, afirma o médico, é a redução do número de horas de sono entre os adolescentes. "A diminuição da carga horária de sono provoca uma sensação de fraqueza, que faz o adolescente procurar mais carboidrato, o que colabora para engordar", destacou o médico. "E as escolas de hoje não permitem muita atividade física com medo que os jovens se machuquem e acabe gerando uma demanda judicial para elas. Temos visto muito isso."
Somado ao comportamento sedentário de crianças e adolescentes, Marchesini cita a ingestão de alimentos ultraprocessados, que vêm substituindo com uma frequência cada vez maior os alimentos frescos, como fator determinante para os altos índices de obesidade. "Os farináceos, os congelados, aqueles alimentos que é só jogar no forno e esquentar têm alto teor calórico, baixo teor nutricional e levam à obesidade. A farinha branca causa dependência e a pessoa acaba gostando cada vez mais e a gordura dá uma sensação de prazer quando se come."
Os alimentos processados, afirma Marchesini, também ganham a preferência das donas de casa pela praticidade no armazenamento e conservação. "Os alimentos saudáveis são perecíveis e a necessidade de dedicação maior do pai ou da mãe de estarem duas ou três vezes por semana no mercado para fazer comida fresca. Sem contar que a comida saudável é mais cara que a processada."
"A gente vê um futuro muito ruim para essas crianças e adolescentes. Estamos criando uma geração de doentes, candidatos a hipertensos e obesos e isso vai comprometer a massa trabalhadora no País. É muito grave a situação dos adolescentes no Brasil. Para arrumar isso é necessária uma intervenção do Estado, com programas educacionais para os pais, as escolas e estímulos financeiros para os pais, para que possam investir em uma alimentação mais saudável", aponta Marchesini.

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