A construção de açudes em sítios do Oeste do Estado tinha como motivação, até há poucos anos, oferecer a seus proprietários e amigos opção de lazer, com a agradável pesca de caniço. Hoje, o divertimento fica para os pesque-pagues, um serviço bastante profissionalizado. Da mesma forma, a produção para fim comercial vai se desenvolvendo nos mais de 5 mil açudes existentes. O que antes era alternativa de renda para os proprietários, agora passa a ser uma das opções preferenciais para a diversificação das atividades.
Órgãos do sistema estadual de agricultura elegeram a região como pólo paranaense de piscicultura de água doce, do qual o principal centro é o município de Toledo. O desenvolvimento da atividade começou a ser esboçado no início dos anos 80, com a instalação em Toledo do Centro de Pesquisa em Aquicultura Ambiental (CPAA), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), criado para estudar a fauna aquática na região a partir dos alagamentos do Rio Paraná, com seu represamento, em 82, pela barragem da usina de Itaipu.
Engenheiros de pesca, biólogos e técnicos avaliaram, no trabalho em laboratórios e tanques do CPAA, as espécies que poderiam ser introduzidas na região, em rios ou açudes, optando pelas ‘‘exóticas’’, inicialmente tilápias nilóticas (do Rio Nilo, no Egito), e depois carpas alemãs e húngaras.
A tilápia acabou sendo opção preferencial dos produtores, por ter carne nobre para filé, que representa 35% da massa destes peixes. O aproveitamento da pele para a indústria de confecções e adornos é outro filão que está se consolidando.
Do peixe nada se perde, porque o que sobra dos processos de filetagem e extração da pele vai para a produção de farinha para ração nos próprios açudes. A piscicultura é atividade considerada de interesse social para fixação do homem ao campo e absorção de mão-de-obra.
Um estudo feito recentemente pelo IAP em 20 municípios indicou que entre 1.078 propriedades pesquisadas, 56% tem até 20 hectares, 80% dos piscicultores moram no local, assim como 80% da mão-de-obra utilizada nos açudes é familiar.
Além disto, cerca de 85% dos piscicultores são classificados como pequenos, mas apenas um terço das propriedades se limita à um açude - as outras têm geralmente dois ou três açudes, e 3,5% têm acima de dez açudes. No universo pesquisado, com 3.142 açudes, a área alagada é de 591 hectares.

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