Pescaria é coisa do passado; água, hoje, só para a hortinha
Pescaria é coisa do passado;
água, hoje, só para a hortinha
Mario CesarMoisés de Oliveira e Laura zelam pela nascente do Ribeirão CambéHá cerca de dez anos, ela é uma espécie de guardiã da nascente do Ribeirão Cambé. Estamos falando da família de Moisés de Oliveira, 59 anos, que juntamente com sua mulher Laura de Oliveira, mora na chácara mais próxima à mina dágua que dá início ao ribeirão do mais importante Fundo de Vale (FD) de Londrina.
Chegamos aqui, eu a mulher e quatro filhos, para cuidar da chácara e fomos ficando. Não somos empregados, porque não tem serviço para ser feito. Também não somos inquilinos, porque não pagamos aluguel. Moramos aqui em troca de cuidar da casinha de madeira, do terreno, e evitar invasão, comenta Oliveira, lembrando que o lugar - na margem esquerda do ribeirão - antigamente era conhecido como Sítio São José.
A chácara está a menos de 100 metros da nascente do Ribeirão Cambé, no município de Londrina, na margem esquerda da BR-369 (Avenida Tiradentes). Do outro lado do rio é o bairro Chácara Manela, já pertencente a Cambé. Eu e a velha (dona Laura), sem emprego e sem aposentadoria, vivemos da ajuda dos filhos e dos amigos, conta Moisés de Oliveira, lembrando que um atropelamento o deixou incapaz para o trabalho há quase dois anos.
O casal recebeu ontem a visita da empregada doméstica Jacira Gaudino da Luz, que mora no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (12 km a leste de Londrina), e é amiga da família há muitos anos. Felizmente não precisamos usar a água do ribeirão, que aqui na nascente já está muito suja, porque temos uma boa mina dentro da chácara. As pessoas jogam muito lixo e entulho na beira da rodovia. Quando chove, a enxurrada traz tudo para a cabeceira do riozinho, reclama Laura de Oliveira.
Antigamente, eu pescava bastante peixes pequenos aí embaixo, nesta primeira represa. Hoje, não dá mais nada; desisti de pescar. Agora, só cuido da hortinha, para o consumo próprio, e dos cachorros que ajudam a evitar os estranhos que não são bem-vindos, explica Moisés de Oliveira. Jacira da Luz lembra que conhece o lugar há décadas e crítica o comportamento de alguns vizinhos: Além de jogar todo tipo de lixo, muitos quebram e tocam fogo nas mudas de árvores plantadas pelos funcionários da Prefeitura de Londrina. É por isso que não cresce nada e a área está tão desmatada.
O desempregado Fábio Ferreira, 18 anos, mora com os pais e irmãos numa casa de madeira bem próxima à margem direita do ribeirão, no Jardim Ana Elisa 1, município de Cambé. Apenas um pequeno pasto separa a casa do curso dágua, muito estreito neste local. Esta água não dá para usar pra nada, porque está suja demais. Até nas hortas, os vizinhos usam água encanada. Água do cambezinho, só para o cavalo beber, diz, ressaltando no entanto que consegue pescar alguns lambaris, tilápias e pequenos bagres no local.
Os estudantes Fernando Álvaro, William Bentrin, Laércio Rodrigues e Rafael Fante Lopes aproveitam o espaço do FV no Jardim Silvino (Cambé) para empinar pipas nas tardes livres. O local é, na verdade, uma ribanceira com pasto ralo, dividido com quatro ou cinco cavalos. Do outro lado do ribeirão fica a sede campestre do Londrina Esporte Clube.
Aqui é bom para soltar pipas, porque não tem fios elétricos e automóveis para atrapalhar. O espaço é bem aberto, dá pra gente correr bastante, explica Fernando, 16 anos. Já Rafael, 11 anos, conta por que não dá para nadar no ribeirão: É muito raso. Além disso, a água é suja, porque alguns vizinhos jogam animais mortos aqui. Até cavalo morto já encontramos dentro dágua.
A dona-de-casa Cristina Almeida dos Santos, moradora do Jardim Tókio (zona leste de Londrina), costuma levar a filha Mayara para brincar no parquinho público instalado no aterro do Lago Igapó 4; na margem direita do Ribeirão Cambé, onde deságua o Córrego Baroré. Antes, isto aqui era abandonado, terrível, todo mundo jogava lixo. Depois que a prefeitura fez este parque infantil, há uns cinco anos, ficou muito bom. Aqui é bem cuidado, tranquilo e seguro para as crianças e para a vizinhança, elogia Cristina Santos. (O.C.)





