A moqueca estava tão boa que seu Damião José até retribiu o cozinheiro com um presente. O agropecuarista Fabiano Prado Rangel agradeceu emocionado o desenho que ganhou do aposentado, que hoje é um dos 108 velhinhos que vivem no Asilo São Vicente de Paulo, em Londrina.
Ontem, Fabiano deixou vara e anzol de lado e passou a manhã inteira preparando uma moqueca especial para os idosos. O peixe, um surubim de 58 quilos, foi pescado por ele em janeiro, durante uma viagem a Itaibaté, na Argentina. ''Não sabia o que fazer com tanto peixe e conversando com a minha esposa e um amigo nosso, resolvi doar o surubim para o asilo'', contou.
Mas além de doar, Fabiano, que é pós-graduado em gastronomia internacional em universidades da Índia e do Chile, trabalhou na preparação da moqueca, que começou às 7 horas da manhã e acabou somente quatro horas depois. Os ingredientes especiais da receita, o chef fez questão de dividir com a reportagem: ''Chimi-churri, um tempero típico uruguaio e pimenta de cheiro cultivada na fazenda da família, no Pará''.
Depois de cozinhar o surubim, Fabiano e a esposa Cristina sentaram-se à mesa com os idosos para saborear o prato.
Para ele, o gesto de caridade deve servir de exemplo para outros londrinenses. ''Muita gente acha que não tem responsabilidade pela caridade que é feita no mundo, mas tem sim e espero que este ato conscientize outras pessoas a ajudar'', disse o gastrônomo, que anunciou: ''O próximo passo será um churrasco''.
Para a irmã Luzia Reis, que cuida dos idosos do Asilo São Vicente, a moqueca veio em boa hora. ''Como eles têm uma dieta orientada, estão sempre pedindo algo diferente para comer e muitos pedem peixe.''
O tempero forte e diferenciado da moqueca, brincou a irmã, não deve fazer mal para o estômago dos velhinhos. ''Tivemos um expert cozinhando para nós e tenho certeza de que eles gostaram bastante da refeição'', declarou a religiosa, assinalando que outra doação já garantiu a carne de porco para o almoço de Páscoa.

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