Pescar e pagar: divertimento ideal para muitos londrinenses
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Josoé de CarvalhoFisgadaUsuário se diverte em pesque-pague de Londrina: passatempo é cada vez mais comum na Cidade O aposentado Renê Grosskopf aproveitou a segunda-feira ensolarada, ontem à tarde, para uma atividade que já virou mania de muita gente: pescar em um dos dezenas de pesque-pagues que invadiram Londrina e região nos últimos anos. Depois de uma hora e pouco de pescaria, ainda não tinha fisgado nada, mas estava satisfeito. Já cheguei a pegar seis quilos de peixe, mas hoje (ontem) a água está fria e os peixes não mordem, explicou. História de pescador ou não, Grosskopf diz que costuma todo final de semana arriscar a sorte nos diversos tanques da Cidade, principalmente nos finais de semana, quase sempre acompanhado dos netos.
Outro que reclamava da água fria era o professor Nelson Tagima, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele pescava com duas varas simples e duas com molinete, isca de camarão fresco, mas depois de uma hora na beira do barranco ainda não tinha encontrado a tilápia almejada. É assim mesmo: tem dia que é da pesca, outro do pescador, disse, adaptando um velho ditado.
Com um pouco mais de sorte, o casal Geni Ribeiro Gambi e Edino Gambi voltava para casa, depois de aproximadamente cinco horas de pescaria, com quatro quilos de peixe, entre tilápias e pacus e até um exemplar de bagre africano. A gente sempre gostou de pescar, mas o tempo era curto e a dificuldade muito grande. Agora, com os pesque-pague, ficou mais prático, aponta Edino.
O casal acredita que o preço pago nos tanques artificiais pelo quilo do peixe pescado - em média R$ 3,00 - não é alto e vale a pena. A gente leva para comer, porque o peixe é fresquinho. Claro que, se for só comprar, numa peixaria, por exemplo, até sai mais barato. Mas não tem o divertimento. E para os filhos é um grande divertimento, diz.
Se é bom para os pescadores, melhor ainda é para quem resolveu investir em pesque-pagues. Carlos Alberto Clivati, o Polaco, conta que quando pensou no negócio, em 1993, nem sabia que já existiam outros dois em Londrina. Depois de quatro anos, seu pesqueiro - localizado na zona norte - é um dos maiores e mais bem estruturados da Cidade. É difícil falar quantas pessoas passam por aqui. Neste ano, por exemplo, na terça-feira de Carnaval, o movimento estourou. Vieram de 700 a 800 pessoas, mas estava tudo preparado, lembra. Naqueles quatro dias, o pessoal pescou 2.138 quilos de peixe. Mas em final de semana normal costumam passar de 150 a 200 pessoas por aqui.
Polaco mantém sete tanques no pesque-pague: três para pescaria, com mesas, cadeiras, guarda-sol e apoio para as varas, e outros quatro apenas para engorda. O cliente também tem à disposição lanchonete, com diversos tipos de bebidas e porções, e pode comprar um equipamento completo para pescaria, desde os mais sofisticados até o mais simples. Se quiser, pode ainda levar o peixe limpo: basta pagar uma taxa de R$ 1,00, independentemente da quantidade.
Com apenas quatro meses de funcionamento, o pesque-pague de Hugo Costa é o caçula dos pesqueiros da região norte e aposta no público para crescer. Praticamente abri no frio, mas a cada dia o movimento vem aumentando, aponta. Lá, são dois tanques com mil metros cúbicos cada um, para carpas, tilápias e pacus, e projeto para construção de um terceiro, com cinco mil metros cúbicos. Já compro peixe adulto porque não tenho estrutura, hoje, para criar. No futuro talvez.
Aos pescadores de plantão, opções é que não faltam.


