Os pescadores da colônia Z 13, de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel), pretendem retornar com as famílias para acampar em frente ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER), em Curitiba. A decisão foi tomada anteontem à noite, depois que nenhum representante do DER ou do governo do Estado apareceram para uma reunião marcada para Guaíra, onde deveria ser definido o pagamento da indenização aos pescadores.
Há cerca de duas semanas 43 pescadores ficaram três dias na sede do departamento, quando ficou acertada a reunião. ‘‘Agora vamos com mais de 100 pessoas e podemos acampar na frente do Palácio do Iguaçu’’, ameaça o tesoureiro da colônia, Nivaldo Capatti.
No total, são 187 pescadores que querem receber pela queda na quantidade de peixe capturado, depois que o DER explodiu as rochas de um trecho para a navegação do Rio Paraná. Segundo Capatti, antes das explosões, cada grupo conseguia pescar entre 40 e 60 quilos de peixes por dia. A produção caiu mais de 90% e os pescadores estavam pegando um quilo ou até menos por dia. Agora, estão desistindo de trabalhar. ‘‘Tem famílias em situação de miséria’’, afirma.
A explosão das rochas aconteceu há dois anos e até agora o Estado liberou R$ 3.123,00 para cada pescador para indenizar o período de um ano sem trabalho. Em dois anos, os 187 integrantes da colônia deveriam receber uma indenização baseada em estudo do impacto das explosões na pesca.
A Universidade Estadual de Maringá (UEM) elaborou um estudo para a colônia e definiu um valor de R$ 3,1 milhões para todos os pescadores. ‘‘Agora o DER e o Estado querem contestar o valor’’, reclama Capatti
Ele conta ainda que para minorar a situação das famílias, que não têm onde buscar emprego, o governo prometeu ainda mandar cestas básicas. As cestas devem ser entregues na próxima segunda-feira e por mais dois meses, até que a situação fique acertada.
‘‘Porém, mesmo que o Estado libere o dinheiro, muitos pescadores da colônia vão continuar na miséria porque não foram incluídos na lista da indenização’’, reclama Capatti.

mockup