Paulo Pegoraro
De Cascavel
A redução da pesca, e a baixa remuneração, estão deixando pescadores que trabalham no Lago de Itaipu em situação de miséria e dependentes do assistencialismo, para sobreviver. A Prefeitura de Santa Helena (111 quilômetros a oeste de Cascavel) chegou a abrir frente de trabalho, pagando R$ 10,00 a cada pescador, para limpar as margens do lago e retirar entulhos que se acumulam sobre a água. A frente emprega apenas vinte pessoas e no máximo por um mês.
Um universitário, Jones Jorge Machado, do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, no campus de Marechal Cândido Rondon, dedicou-se a estudar as condições de vida dos pescadores. O estudo é indicativo das dificuldades de sobrevivência das famílias que dependem da pesca. Jones constatou que nos meses de melhor desempenho, cada pescador consegue em média 70 quilos de peixes, quando, há 5 anos, chegava a mais de 200 quilos.
A remuneração é irrisória, porque as espécies de maior valor comercial, como dourado e pintado, praticamente desapareceram A sardela, ou perna-de-moça, espécie mais volumosas, rende apenas R$ 0,80 por quilo - mas, entregue aos ‘‘atravessadores’’, chega aos consumidores a R$ 2,00. Os pescadores que se dedicam integralmente à atividade, obtém em média dois salários mínimos mensais. Em alguns meses, porém, só conseguem garantir peixes para a alimentação familiar.
As condições de saúde são extremamente precárias. Segundo Machado, 95% sofrem de reumatismo, provocado pela friagem e longos períodos trabalhando na água, e o envelhecimento precoce é regra, pois à noite enfrentam a baixa temperatura ‘‘e durante o dia o sol escaldante’’. Outra constatação é a de que muitos abandonaram a atividade - a Colônia Nossa Senhora dos Navegantes, de Santa Helena, tinha 416 associados em 97, hoje são apenas 130, e só 80 estão em atividade permanente.
As cinco associações existentes em toda a faixa do lago reúnem aproximadamente mil pescadores, parte considerável deles ‘‘dependente do assistencialismo de prefeituras’’, afirma Devaldir Capatti, presidente da Colônia Z-13, de Guaíra. Segundo o presidente da colônia de Santa Helena, Abilio Weirich, as associações estão definindo formas ‘‘de chamar a atenção das autoridades para os graves problemas sociais dos trabalhadores’’.
Além disto, será pedido à binacional de Itaipu perícia independente sobre a ictiofauna no lago, porque a barragem da hidrelétrica teria provocado o desaparecimento de espécies ‘‘nobres’’ de peixes. As colônias movem ações na Justiça Federal, pedindo indenização da empresa, pela redução da pesca. O procurador jurídico das associações, Aparecido Martins, afirma que argumentações da binacional de que a pesca aumentou ‘‘não têm embasamento em estudos independentes’’.

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