Pescadores vão à Justiça contra Itaipu
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sábado, 29 de novembro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Cerca de 500 pescadores do Rio Paraná nas regiões Oeste e Noroeste do Estado vão entrar na Justiça contra a Itaipu Binacional pedindo indenização por descumprimento de acordo. Eles vão usar um documento feito em l982, pouco antes da inauguração da usina, no qual a Itaipu garantia que a formação do lago não afetaria a pesca no Paranazão e que o rio seria repovoado de 4 em 4 anos para garantir a abundância de peixes.
O presidente da Colônia de Pesca Z14, Antonio Capatti, de Guaíra, diz que as espécies consideradas de primeira linha como o dourado, o cascudo e o pacu praticamente desapareceram na região. Eram essas espécies que tinham mais procura e melhor preço, afirma Capatti. Agora, além de pescar menos, os profissionais têm que se contentar com espécies de segunda linha que custam menos e são mais difíceis de vender, além de passarem determinados períodos proibidos de pescar para não despovoar de vez o rio.
Segundo Capatti, quando construiu o lago a Itaipu assegurou que a população do rio não seria afetada. Independente disso, seriam tomadas todas as precauções para garantir a procriação de peixes. Uma delas seria lançar alevinos no rio a cada 4 anos. Em 15 anos, a Itaipu fez apenas um repovoamento, disse o presidente da colônia.
Habitantes de leitos rochosos e com correnteza, as espécies nobres do Rio Paraná tiveram seu habitat alterado pela formação do lago. O golpe de misericórdia, segundo Capatti, veio com as explosões de rochas em Guaíra feitas no ano passado para abrir um canal de navegação no Rio Paraná.
As explosões destruíram um dos mais importantes redutos do cascudo, as rochas próximas aos saltos submersos de Sete Quedas. Responsável pelas explosões, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) está indenizando aproximadamente 300 pescadores que pescavam na área.


