Pescadores testam tanques-rede de camarão no Litoral
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Ellen Taborda De Curitiba 
Para fugir da ilegalidade no período de defeso do camarão, os pescadores começam a testar uma nova alternativa. Em Guaratuba, no Litoral do Estado, eles estão evitando a pesca utilizando a criação em tanques-rede. O projeto é pesquisado desde 1998 por técnicos do Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Uma espécie exótica, o camarão branco do Pacífico (litopnaues vannamei), está sendo reproduzido em tanques-rede. O projeto evitaria a pesca no defeso (período de reprodução do camarão que vai de fevereiro até o final de maio), que é feita atualmente, mesmo com a proibição e a fiscalizição do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Já estão participando do projeto dos tanques de criação 53 empresários e 16 pescadores. A idéia é produzir em escala comercial, mas para isso há necessidade de autorização do Ibama. De acordo com o chefe de fiscalização do instituto, José Carlos Ramos, as licenças para a atividade só podem ser concedidas depois que os técnicos da PUC-PR apresentarem um relatório de impacto ambiental. Por enquanto só há autorização para a pesquisa.
O grupo já tem 100 tanques-rede na água. A produção hoje é de seis toneladas ao mês. Quando estivermos trabalhando comercialmente, a previsão é de produzirmos 100 toneladas, afirma o empresário Augusto Gonçalves Filho, que está investindo no projeto. O diretor técnico do Centro de Organismos Marinhos da PUC-PR, Javier Ganoza Macchiavello, conta que os tanques-rede já são utilizados na Bahia e em Santa Catarina. Existe até um programa nacional para o desenvolvimento dessa técnica que prevê para 2003 a produção de 105 mil toneladas por ano.
O pescador Ivo Chiodini diz que além do lado econômico, o projeto tem vantagens ecológicas. Assim o pescador pára com o arrasto e não degrada mais o meio ambiente. Apesar da proibição, é justamente no período do defeso que os pescadores faturam mais. De acordo com o pescador Ivo Chiodini, os ganhos ficam dez vezes maiores, chegando a R$ 200,00 por dia.
Chiodini relata que o governo oferece um salário mínimo para cada mês do defeso. Mas os três salários chegam só depois de encerrado esse período.


