Pescadores tentam acordo com governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de setembro de 2005
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Guaíra Uma reunião hoje à tarde em Guaíra (158 Km ao norte de Cascavel) pode definir a situação dos pescadores que se sentiram prejudicados pelas obras realizadas pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), em 1996. Na época, o DER realizou explosões de rochas submersas na área das Setes Quedas, que teria prejudicado cerca de 600 pessoas que vivem da pesca na região. Eles pedem uma indenização que ajudaria no sustento das famílias .
A obra foi feita para a construção de um canal de navegação que viabilizaria a hidrovia Paraná Tietê. Segundo o advogado Aparecido da Silva Martins, que representa a Colônia de Pescadores Profissionais de Guaíra, a Z 13, uma perícia realizada no local comprovou que duas espécies de peixes, o cascudo preto e o cascudo abacaxi, foram dizimadas por causa das explosões. ''As duas espécies sustentavam as famílias de pescadores, que agora sofrem dificuldades financeiras e não conseguem se manter'', afirmou.
As rochas, segundo o advogado, funcionavam como uma espécie de barreira e com a detonação, a areia invadiu o local impedindo a sobrevivência dos peixes. A perícia foi realizada pelo Grupo de Estudo da Universidade Estadual de Maringá (UEM), responsável também por pesquisas realizadas no Lago de Itaipu. ''A escolha do órgão responsável pela perícia estava de acordo com os pescadores e o DER''.
O advogado explica que o DER assumiu o compromisso perante o Ibama e o Ministério Público de que se responsabilizaria, caso houvesse algum impacto ambiental. Depois de concluída a obra, o órgão também pagaria 12 meses de indenização para os pescadores. ''O DER se comprometeu a fazer um pagamento definitivo à Colônia se houvesse algum dano, mas o acordo não foi cumprido''.
Os pescadores entraram com uma ação na justiça pedindo reparações e, no dia 20 de julho, a sentença foi favorável, em primeira instância. ''Queremos agora sensibilizar o governo do Estado na reunião, para que cumpram o acordo e indenizem as famílias que foram prejudicadas'', afirmou o advogado. Os valores arbitrados na época, segundo o advogado, eram de R$ 2,77 milhões. ''Em valores corrigidos hoje, são aproximadamente R$ 9 milhões.''
''Esperamos que o governo se sensibilize e não entre com recurso protelatório. Vamos tentar criar uma vontade política para resolver rapidamente o problema dos pescadores, até mesmo porque o governo, legalmente, tem que pagar pelos danos'', afirmou o advogado. Participam da reunião representantes da Colônia de Pescadores, Associação Comercial e Industrial de Guaíra, prefeitura, Câmara de Vereadores e deputados estaduais.
O DER informou, através da assessoria de imprensa, que depositou um valor acordado de R$ 786 mil em juízo, referente a 12 meses de indenização. Também declarou que não se nega a pagar pela reparação do dano ambiental, mas questiona o valor na Justiça. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


